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Faculdades dão bolsas para os melhores no vestibular

Em busca de boas referências no mercado, impacto favorável na comunidade e resultados positivos em avaliações como o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), instituições de ensino superior têm usado uma estratégia diferente: dar bolsas integrais para alunos com bom desempenho no vestibular. Em alguns locais, como a Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), há turmas inteiras formadas por estudantes que não pagam mensalidade.

Eles pagam apenas R$ 30 pela taxa de inscrição no vestibular e fazem a prova. Os 30 melhores, desde que acertem pelo menos 50% do exame, fazem toda a graduação nos cursos de História, Geografia, Economia, Serviço Social e Música sem pagar. “É um programa diferenciado, relacionado com o nosso plano de desenvolvimento institucional”, explica a reitora da Unicsul, Suely Marquesi. A instituição colhe os resultados. Pode dizer que o curso de Geografia, o primeiro a ter esse tipo de bolsa, recebeu avaliação 5, a nota máxima, no último Enade.

Na Anhembi Morumbi existem 60 bolsas integrais para quem tiver as melhores notas no vestibular geral. “Queremos os melhores alunos. Esse é o nosso objetivo, primar pela excelência acadêmica. Por isso temos as bolsas, que são distribuídas entre os cursos”, afirma Mayra Simões, diretora de Marketing da instituição. Ela conta também que a faculdade terá 160 bolsas para atletas.

A Universidade São Marcos, a Universidade de Uberaba (MG) e o Centro Universitário UniFieo, em Osasco, também concedem bolsas aos estudantes pelo mérito no vestibular.

“Queremos formar bons profissionais, ter um diferencial no mercado. Esse aluno, quando começar a trabalhar, mostrará no mercado que teve um bom curso”, diz Mariana Hungria, coordenadora do Centro de Análises de Benefícios da UniFieo. Lá, as bolsas vão para os cursos de História, Matemática e Geografia, que a instituição começou a oferecer neste ano, e de Engenharia de Telecomunicações.

Em todas elas, não basta o bom desempenho no vestibular para fazer toda a graduação com a bolsa. O estudante precisa manter sempre uma média alta e não pode repetir em nenhuma disciplina. “Fiz vestibular pensando na bolsa. No começo não acreditei muito, mas decidi estudar bastante. Foi bem disputado, conheci várias outras pessoas que só tentaram por isso”, conta Rosana Ferreira Rosa, aluna do primeiro ano de Geografia da Unicsul.

As bolsas, segundo Carlos Monteiro, da CM Consultoria, são mais uma estratégia das instituições para se destacar no mercado. A instituição melhora o nível das aulas, consegue boas notas em avaliações e ainda chama atenção de outros alunos para seu curso, diz.

Segundo a educadora Regina Vinhais, da Universidade de Brasília (UnB), trata-se de uma forma puramente empresarial de ver a bolsa de estudo. “Não posso condenar um empresário, dono de uma instituição, que faz isso. Mas é um recorte, é enxergar as bolsas como um negócio que, além de manter um bom padrão, garante um retorno.”

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