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Vestibular chega antes

Na corrida para abocanhar o maior número de adesões, as universidades particulares vêm antecipando nos últimos anos a data de seus vestibulares, uma forma de seduzir o aluno, ansioso por entrar em uma faculdade, e garantir um maior número de matrículas.

Se até cinco anos atrás os vestibulares se concentravam no final de novembro e início de dezembro, quando o ano letivo já tivesse chegado ao fim, neste ano há instituições que até já realizaram seu vestibular, em setembro. A maioria marcou as provas para o período entre outubro até a primeira quinzena de novembro.

Professores de ensino médio e cursinho pré-vestibular confirmam a situação, mas as instituições não atribuem à concorrência a antecipação das provas. Para especialista, o adiantamento pode ser prejudicial ao vestibulando, que pode não estar culturalmente e emocionalmente preparado para enfrentar a batelada de provas.

“É um jogo feito pelas escolas de maneira tal que garanta um certo número de matrículas. O aluno, que fica angustiado para saber onde vai fazer faculdade, opta por aquela em que já passou”, afirmou Sérgio Degrande, professor de cursinho do COC Ribeirão.

Embora as universidades neguem antecipação intencional, uma funcionária de uma instituição de Ribeirão, que falou sob a condição de não ter o nome divulgado, confirmou que a concorrência é determinante para a escolha da data. Ela disse que, como no fim de novembro há um número grande de faculdades que realizam vestibular, todas disputando o mesmo público, sua instituição procura se antecipar, porque sabe que os alunos acabam se matriculando em algumas universidades e em outras não.

Para a coordenadora do curso e colégio Objetivo em São Paulo, Vera Lúcia Antunes, essa corrida dos vestibulares visa também pegar os melhores alunos.

Das particulares de Ribeirão, pelo menos quatro vão realizar as provas na primeira quinzena de novembro: a Uni-Mauá e a Instituição Moura Lacerda no dia 11, a Unaerp no dia 12 e as Faculdades COC no dia 15.

Mas nem sempre foi assim. Há quatro anos, por exemplo, o vestibular do Moura Lacerda foi aplicado no dia 10 de dezembro. O primeiro vestibular das Faculdades COC aconteceu no dia 15 de janeiro.

A Moura Lacerda informou que os vestibulares sempre são realizados em novembro – a prova foi em 10 de dezembro – e que procura uma data que não choque com fins de semana de feriado.

A Barão de Mauá também disse que as provas são sempre em novembro, mas não detalhou ano a ano. Nenhum professor das Faculdades COC se manifestou a respeito. A Unaerp informou que não se encaixa nessa tendência, porque aplica a prova na primeira quinzena de novembro “há anos”.

Cidade terá 18 novidades

Unaerp, Moura Lacerda, Barão de Mauá, juntas, disponibilizam 11 novos cursos de graduação e 7 seqüenciais.

A Unaerp lançou: secretariado executivo, tecnologia em criação e produção audiovisual, biologia, ciências econômicas, ciências contábeis, engenharia de alimentos, engenharia de produção e tecnologia ambiental.

A Moura Lacerda cria a graduação em biblioteconomia e artes, além de três cursos seqüenciais: gestão em tecnologia da informação, negócios em moda e produção em rádio e TV.

A Uni-Mauá lança graduação em artes e letras e os seqüenciais tecnologia e gestão de negócios imobiliários, audiovisual, cosmetologia e estética, e hotelaria. (Gazeta de Ribeirão)

Psicólogo vê malefícios

A aplicação dos vestibulares antes do fim do ano letivo pode ser prejudicial ao aluno, segundo o psicólogo Marcelo Cappato Filipecki, orientador vocacional do colégio Anglo de Ribeirão. Para ele, ao passar numa faculdade, os alunos acabam relaxando nos outros vestibulares e se descomprometendo com as próprias aulas. “Consigo notar queda no preparo emocional e cultural da moçada. A antecipação dos vestibulares por uma questão de mercado acaba trazendo malefícios”, afirmou.

Segundo ele, porque a pressão do vestibular é grande, por imaturidade e até por uma questão cultural, é difícil que os adolescentes pensem na conseqüência futura. (Gazeta de Ribeirão)

Estudantes são contra

As estudantes Natália, 18, e Lia, 18, no primeiro ano de cursinho, dizem que não se sentem confiantes para passar num vestibular nesta época do ano, antes de terem visto todo o conteúdo das disciplinas.

“Ainda não tivemos a revisão, que acontece na segunda quinzena de novembro, e aborda os pontos importantes”, disse Romil, que vai prestar arquitetura. Para Casella, que quer medicina, as faculdades que abrem vestibular antecipadamente não são sérias. “Querem pegar quem está no cursinho.”

A conseqüência disso, segundo Romil, pode ser prejudicial para o vestibulando. “Se passar agora, o aluno fica muito tranqüilo, deixa de estudar e vai acabar se matriculando nessas faculdades”, afirmou.

Para Estefânia Leoni, 18, que presta veterinária, as universidades particulares deveriam adiar os vestibulares, para aumentar as opções de quem não passou nas públicas. “Quem faz cursinho, não quer prestar vestibular de particular agora. Eu mesma, vou esperar resultado da pública e, só se não passar, presto privada. Mas as faculdades ficam se antecipando e diminuem as opções depois.”

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