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Vestibular em segundo plano

Com o final do ano, aumentam as pressões e o nervosismo, mas nem todos os estudantes que concluem o Ensino Médio estão tensos com a prova. Alguns deles nem tentarão o vestibular. Seguirão outro caminho. Os motivos são os mais diversos. Alguns acreditam que ainda não é o momento certo e outros estão indecisos ou querem trabalhar. Há também os que não têm condições de custear um curso superior nas entidades particulares.

Para esses alunos, o final do ano significa o início de um caminho diferente. Segundo a psicóloga Marta Sigwalt, este é o momento de o estudante pensar bastante no que deseja. “Em alguns casos, é preferível que o aluno pare por um tempo e pense no que é melhor”, orienta. Mas lembra que isso vai da necessidade de cada um. “Não é uma regra. As pessoas são diferentes e muitas vezes precisam de um tempo”, explica.

A pressão em ser aprovado é o maior motivo para desespero. Segundo Marta, quando a questão é a indecisão é melhor amadurecer a idéia antes de começar o curso. “A cobrança da família pode obrigar o estudante a fazer o vestibular, começar um curso e se sentir vazio. É bom que o aluno, neste caso, descanse, pare de fazer o que fazia, saia da rotina e depois volte com uma retomada mais firme”, aconselha.

Incertezas

Há quem considere essa parada um prejuízo. Para a psicopedagoga Marcília Oliveira, esta atitude pode ser um retrocesso no sentido de perda de tempo. “Quem pára, geralmente está confuso e isso gera um comodismo. A pessoa pode ficar parada e não voltar mais”, destaca. Para ela, é necessário continuar os estudos e fazer uma ligação estreita com a faculdade. “Após o Ensino Médio vem o Superior”, comenta.

Marcília aconselha ao estudante que invista no curso superior mesmo sem ter certeza em qual seguir. “É melhor que o aluno termine o Ensino Médio e entre logo na faculdade, porque mesmo que ele desista do curso, não terá perdido tempo. Ele já estará na faculdade e será mais fácil fazer outra escolha”, esclarece.

A pedagoga Tatiana Pereira alerta aos estudantes que conversem com os pais para chegarem a um consenso – quando eles discordarem da escolha. “Não que isso seja certo ou errado. Mas os pais estão mais preocupados com que os filhos sigam uma carreira tradicional e sejam bem-sucedidos e, geralmente, os jovens já querem alcançar a independência financeira logo”, explica.

Ela lembra que o mercado de trabalho exige um profissional bem preparado, mas que isso não indica diretamente que ele precise ter um curso superior. “É comum os estudantes terminarem o Ensino Médio e estudarem para concursos. Os jovens vêem as coisas acontecerem muito rapidamente. Vivem em um mundo global, querem conhecer outras línguas, conquistar seu próprio dinheiro e sua independência”, destaca.

Independência financeira

Seguindo a tradição, após concluir o Ensino Médio o normal é ingressar no Ensino Superior, mas nem todos seguem a regras e estão preocupados com as pressões do vestibular. O soldado da aeronáutica Wesley Castro, 20 anos, é um exemplo. Ele terminou o terceiro ano do Ensino Médio e foi atrás da carreira que queria, assim como seu pai.

Segundo ele, a família inteira já sabia que ele gostaria de seguir os passos do pai. “Ninguém falou nada. E eu me livrei do nervosismo do vestibular. Não sabia qual curso fazer. Pensei em Medicina, Direito e outras coisas, mas nunca me decidia”, explica. Outro fator que influenciou a decisão de Wesley foi o custo do Ensino Superior. “As mensalidades são caras. E eu queria ter o meu próprio dinheiro”, conta.

A funcionária pública Priscila Araújo, 20 anos, também preferiu conquistar logo a independência financeira. Muitos jovens quando terminam o Ensino Médio querem ter o próprio dinheiro – para fazerem o que quiserem. Com Priscila foi assim. Quando ela terminou o Ensino Médio em vez de fazer cursinho para o vestibular, se preparou para concursos.

Ela conta que quando fez 18 anos o sonho era ter um carro e isso a motivou a direcionar o estudo para concursos. “Eu queria comprar meu carro e as minhas coisas. Poder fazer o que eu quisesse”, comenta.

A servidora aconselha aos jovens optar pelo mesmo que ela. “Talvez se eu não tivesse feito o que eu fiz, hoje não teria conseguido as coisas que consegui”, afirma. Após passar no concurso, Priscila fez o vestibular e, atualmente, estuda Direito em uma instituição particular.

Monte sua estratégia

Avalie os prós e os contras. Se for dar um tempo nos estudos, lembre-se que voltar ao ritmo é mais pesado.

Trace metas para voltar aos estudos.

Procure fazer algo que auxilie na sua formação.

Se for fazer algum curso, invista na área que te atrai, para que no futuro, se quiser, possa se aprofundar com um curso superior.

Busque apoio na família. Converse com os pais em busca de um consenso.

Não se acomode. Uma hora você terá que voltar com força total.

Procure ajuda com um psicólogo ou com um orientador pedagógico.

Mantenha-se informado, tenha em mente que um dia você pode querer ingressar em uma universidade.

Se a questão for indecisão, invista em testes vocacionais.

Lembre-se que um curso superior, hoje em dia, é muito importante para ingressar no mercado de trabalho. Então, cuidado para não perder o ritmo.

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