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Vestibular na reta final. E agora?

Igor: pressão de ser o primeiro lugar
Esse é o caso do estudante do 2° ano, Igor Denisard Dantas, que no vestibular do ano passado ficou em primeiro lugar geral no processo seletivo seriado da 1° série.“Estou muito ansioso, porque fiz uma boa prova ano passado e estou na obrigação de fazer bem também esse ano”, declara o estudante.

Igor diz que não se preocupa muito com o vestibular durante o ano e a tática utilizada por ele é fazer uma revisão de final de ano dos assuntos estudados no período letivo. “Sempre procuro fazer essa revisão final. Ano passado deu certo. Não acredito que essa seja uma boa tática. Mas, como não me dediquei muito antes, tenho que me dedicar mais agora”, explica.

Cobrinha está confiante
Este período que antecede os dias da prova é repleto de aulões de revisão, promovidos por cursinhos e colégios, sempre em locais que comportem muita gente, como auditórios, ginásios e teatros. Mas será que a revisão é a melhor forma de recuperar o tempo perdido? “Eles não têm mais o que aprender. A revisão é uma maneira de lapidar, de polir o aluno para que ele tire as últimas dúvidas. Na última semana não se aprende mais nada”, ressalta Jairto Guimarães, o professor Cobrinha, diretor de um colégio especializado em preparação para o vestibular.

Para o coordenador do concurso vestibular da UFS, Manoel Leite, na semana do vestibular o que vale mesmo é relaxar. “Procurar assistir a um bom filme, se distrair para não ficar com aquela tensão muito grande. No vestibular a concorrência é muito grande, a disputa é muito grande, e esses pequenos detalhes com certeza fazem a diferença na hora de fazer a prova. É procurar relaxar, ter tranqüilidade. Eu sei que não é fácil, mas cada um, se esforçando, vai terminar conseguindo”.

“Este é o momento em precisamos mostrar tranqüilidade. Quem semeou bem semeado irá colher bons frutos”, o professor Cobrinha dá a receita. A boa preparação do aluno tem que ser o ano inteiro, participando ativamente das aulas, não levando dúvidas para casa, mantendo uma rotina de estudo fora da escola, além de ter um ambiente propício para a aprendizagem e acompanhamento psicopedagógico esse é o segredo, garante. “Cumprindo isso, com certeza o estudante terá sucesso”.

Imaturidade

Juliana, Narjara e Laís
Muitos jovens entre 14 e 16 anos estarão prestando o vestibular seriado pela primeira vez. Essa mudança no sistema de seleção da UFS, ocorrida há mais de cinco anos, ainda gera questionamentos. É unânime entre os professores a opinião de que com essa faixa de idade, o jovem ainda é muito imaturo para enfrentar tal prova de fogo. Segundo a psicopedagoga Daniela Botelho, “com essa idade eles ainda não têm noção do que é o vestibular. O número de vagas é pequeno, a concorrência é muito grande… O bom seria que eles não tivessem que passar por isso”.

Essa opinião também é compartilhada entre os estudantes que enfrentarão a prova pela primeira vez, como é o caso de Juliana Moraes (16 anos), Narjara Rodrigues (16 anos) e Laís Moraes (15 ano). “Achava que deveria ser só no terceiro ano porque nós não temos maturidade. Bate um nervosismo… Mas no final acho que é mais fácil porque vamos fazer uma prova com os assuntos que estudamos durante o ano. Não adianta chegar no final do ano e querer estudar tudo de uma vez”, explica Laís.

As meninas dizem que por enquanto continuam levando um vida normal, saindo e se divertindo, só que a cobrança dos pais começa cedo, já no final da oitava série. “Os pais começam a cobrar, dizem que vamos perder a moleza de antes. Para eles a gente já tem a mesma responsabilidade de quem está no terceiro ano”, confessa Narjara.

Apesar de já terem uma idéia da profissão que querem seguir, as jovens vestibulandas revelam que a maioria dos seus colegas não sabe o curso que quer seguir. “Eu sou muito nova para saber o que
Taíse e Joyce estão super ansiosas
quero para a vida toda”, diz Laís.

A tranqüilidade de Juliana, Narjara e Laís não é a mesmo sentimento compartilhado por Taíse Vasconcelos e Joyce Oliveira, que irão prestar o PSS Geral, e passarão pelos quatro dias de prova. Elas afirmam que se privaram de muita coisa esse ano por conta do vestibular e das aulas intensivas. “No final tem que valer a pena”, declaram. “No dia antes da prova o segredo é não pensar no vestibular”, recomenda Taíse, que irá tentar uma vaga no curso de Medicina, o mais concorrido da UFS.

Equilíbrio da emoção x conhecimento

Daniela: “Devemos mostrar que eles são capazes”
“O mais importante nesse momento é mostrar que o estudante é capaz, levantar a auto-estima dele com muita conversa. Aí ele terá sucesso. E isso não se faz da noite para o dia”, aconselha a psicopedagoga Daniela Botelho.

Outro fator que influência o desempenho do vestibulando nas provas é a família, que também é atingida por toda a tensão das provas e acaba exigindo demais dos jovens. “Existe um grande número de pais que não estão preparados para perder. E muitas vezes eles passam isso para os filhos aumentando ainda mais a ansiedade e o nervosismo”, explica Daniela.

Se para os estudantes que querem entrar na universidade e seguir uma carreira, não existe outra saída, uma maneira de fugir desse mar de tensões que é o vestibular é tentar relaxar e confiar em si próprio. E ainda, se o emocional não estiver bem nada vai dar certo, recomenda a psicopedagoga. “Tudo tem que caminhar junto, domínio emocional e de aprendizagem”.

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