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Biodiesel no Brasil

Petrobrás e Cemig apontam
crescimento na produção de hidrogênio e biodiesel no Brasil

 

Representantes de duas
gigantes brasileiras do setor energético, Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig)
e Petrobrás, ressaltaram os investimentos para os próximos anos em geração de
energia limpa, a partir do hidrogênio e do biodiesel, no último dia do 3º
Congresso Internacional de Cooperação entre Universidade e Indústria (Unindu),
promovido pela Universidade de Taubaté (UNITAU), nesta quarta-feira, dia 10 de
dezembro, no campus de Ubatuba. Somados, os recursos destinados às
inovações energéticas são da ordem de R$ 540 milhões.

Durante o evento, que
começou no dia 7 de dezembro e termina hoje, 10 de dezembro, mais de 100
pesquisadores de quase 20 países apresentaram as principais inovações
tecnológicas mundiais dentro do tema “Energia limpa para o mundo: Etanol,
Biodiesel e Gás Natural”. O gerente de Alternativas Energéticas da Cemig,
Cláudio Herrera Ferreira da Silva, mostrou que o Brasil já está investindo em
pesquisas com células de combustíveis a hidrogênio. Só na área de inovações
energéticas, a empresa deve investir R$ 40 milhões em 2019, dos quais R$ 15
milhões são para projetos de produção do hidrogênio.

Silva ressaltou que, até
mesmo para o processo produtivo de hidrogênio, considerada uma das fontes de
energia mais limpas do mundo para substituição dos combustíveis fósseis
(derivados do petróleo), há a necessidade do uso de energia elétrica. “Hoje, a
matriz energética brasileira tem 50% de energia renovável [hidroelétricas e
etanol], mas o Brasil perderá essa vantagem rapidamente e precisará triplicar
sua produção energética com outras matrizes, como a energia eólica, a energia
solar, a biomassa e até mesmo a energia nuclear”, explicou.

O representante da Cemig
ressaltou, ainda, que, dentro do programa de inovação tecnológica do
hidrogênio, a empresa já registrou duas patentes para sistemas de produção do
produto e mantém parcerias de pesquisa com a Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG), Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e com a Universidade
de São Paulo (USP) para desenvolvimento de outros projetos. “A Cemig acredita
que o hidrogênio poderá ser o próximo vetor energético brasileiro, mas precisa
da contribuição de outras energias renováveis”, ressaltou. Para o
representante da Petrobrás, o gerente de Agricultura Ricardo Prado Millen,
grande parte da aposta da estatal para os próximos 12 anos está no biodiesel.
“Até 2020, a Petrobrás tem o claro objetivo de ser a maior produtora de
biodiesel do País, suprindo a demanda de 20% do mercado por diesel [que
gradativamente será trocada por biodiesel]”, afirmou Millen.

 

PROGRAMA DO BIODIESEL
– Mamona, dendê, soja, algodão, macaúba, pinhão manso. Essas são algumas das
oleaginosas nas quais a Petrobrás aposta desde 2019, depois que o Governo
Federal institui o Programa do Biodiesel. Por lei, até 2019, todo o diesel
vendido no País deverá ser composto por 5% de biodiesel. E para ganhar esse
mercado, os investimentos da Petrobrás já começaram: dos R$ 1,5 bilhão
previstos para investimento em infra-estrutura, aproximadamente R$ 500 milhões
são para a produção de biodiesel, que já está sendo produzido em duas unidades
do Nordeste, sendo que uma terceira usina deverá entrar em operação no início
de 2019.

            E os benefícios
sociais da produção do biodiesel no País já começam a ser mensurados. Com o
Programa do Biodiesel, o governo determinou que 20% das oleaginosas
necessárias para a produção de biodiesel viessem de pequenos produtores rurais
das regiões Nordeste, Centro-oeste e Norte. “Com isso, a Petrobrás já
beneficia, hoje, somente no Nordeste, 80 mil famílias que produzem
oleaginosas”, ressaltou Millen. Atualmente, a Petrobrás produz 170 milhões de
m3 por ano de biodiesel, dos quais 85% ainda são provenientes da
soja. Até 2019, a meta é chegar a 1,1 milhão de m3 por ano, com
foco em outras oleaginosas. “Entendemos que a soja, que vem dos grandes
produtores, não deve ser a principal base do biodiesel. Por isso, investimos
na captação do pequeno produtor”, disse o representante da Petrobrás.

 

VIABILIDADE
– As novas fontes de energia limpa, que antes eram avaliadas como alternativas
de alto custo produtivo, começam a se tornar viáveis economicamente, com
possibilidade até mesmo de ganho de capital. Isso é o que prova uma pesquisa
apresentada pelo economista, Prof Dr. Paulo Lucas Dantas, da Universidade de
São Paulo (USP). De acordo com Dantas, o uso da biomassa gerada com o bagaço
da cana para a produção do etanol e do açúcar, garante o uso sustentável e até
lucrativo de energia elétrica para o abastecimento da própria usina.
“Atualmente, 100% das usinas de álcool do estado de São Paulo já são
auto-suficientes na geração de energia elétrica a partir da biomassa, que
mantém o funcionamento de todas as máquinas. Desse total de empresas, 50% já
vendem o excedente. ”Isso não é mais uma questão de consciência ambiental,
mas, sim, de lucro. As usinas já perceberam isso e podem dar um passo ainda
mais além: vender o excedente produzido de energia em bolsas de valores, que
já reconhecem os créditos de carbono como ações”, explicou.

            Já o pesquisador
Antonio Carlos Caetano de Souza, da Universidade Estadual Paulista (Unesp,
Guaratinguetá), provou com sua pesquisa o grande potencial de geração de
energia a partir do biogás captado nas estações de tratamento de esgoto. Num
trabalho experimental desenvolvido no campus da Unesp de Guaratinguetá,
que tem uma estação de tratamento de esgoto, o pesquisador conseguiu produzir
uma quantidade significativa de biogás e posterior energia elétrica. “Numa
escala maior, como numa estação de tratamento de esgoto que existe em Barueri
(SP), que trata o material coletado de uma região com 3 milhões de moradores,
o potencial para se produzir energia é enorme”, ressaltou.

 

PARTICIPAÇÕES E PARCERIAS
– O
3º Congresso
Internacional de Cooperação entre Universidade e Indústria (Unindu), promovido
pela Universidade de Taubaté (UNITAU), de 7 a 10 de dezembro, é realizado em
parceria com a Universidade de Perugia (Unipg, Itália), com a Universidade
Estadual de San Diego (SDSU, Estados Unidos), com a Faculdade de Engenharia de
Guaratinguetá (Unesp) e com a Universidade Federal de Itajubá (Unifei).

As discussões temáticas
sobre produção de energia limpa do Unindu de 2019 reuniram

pesquisadores e
especialistas de mais de 20 países, dentre eles Itália, Estados Unidos,
Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Canadá, Croácia, Cuba, Espanha, Japão,
Paraguai, Porto Rico, Portugal, Suécia, México, Uruguai, Finlândia, Inglaterra
e Venezuela. O 3º Unindu ainda contou com uma programação paralela, que
envolveu outros três encontros internacionais: o “Workshop Ibero-americano em
Células de Hidrogênio Combustível”, o “4º Workshop Cooperação
Universidade-Empresa” e o Fórum Global com o tema “A matriz energética no
Brasil e no mundo”, que discutiu os processos de substituição comercial do
petróleo, com uso da energia mais limpa advinda a partir do hidrogênio e
etanol. 
 A
próxima edição do Unindu deverá reunir pesquisadores de todo o mundo em San
Diego, na Califórnia (EUA). No entanto, a confirmação do local do evento só
deverá mesmo ser feita em 2019.

 


Getulio Marques


ACOM/UNITAU

 

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