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Cirurgia cardíaca em animais

Unifran oferecerá cirurgia cardíaca em animais

 


P1260599-250.jpgFapesp
disponibilizou R$ 140 mil para o projeto da universidade

 
O Hospital Veterinário da Unifran recebeu da Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado de São Paulo (Fapesp) R$ 140 mil para a aquisição de aparelhos de
ecocardiografia e eletrocardiografia computadorizada, material para cirurgia
cardíaca, dentre outros. Esse valor refere-se ao financiamento aprovado pela
Fundação do projeto intitulado "Anuloplastia valvar mitral por
plicatura externa em cães com degeneração mixomatosa da valva mitral
”,
de responsabilidade do professor do curso de Medicina Veterinária e do
Programa de Mestrado em Cirurgia e Anestesiologia Veterinária da
universidade , James Andrade… “ Com essa verba montamos o Ambulatório de
Cardiologia Veterinária, espaço que permitirá a realização de exames
cardiológicos avançados, bem como a instalação de um serviço de cirurgia
cardíaca em animais”, revela o professor.
 
Segundo James Andrade, a Cirurgia Cardíaca Veterinária é um serviço
realizado por pouquíssimos profissionais especializados e centros cirúrgicos
veterinários no País. Além das cirurgias, que serão realizadas no centro
cirúrgico do Hospital Veterinário, o espaço disponibilizará os seguintes
serviços: Eletrocardiografia Computadorizada Veterinária e Ecocardiografia
com Doppler colorido —ultra-som cardíaco, com mapeamento de fluxo em cores—,
que possibilitam diagnóstico preciso das cardiopatias, avaliação da
necessidade de cirurgia cardíaca, acompanhamento pós-operatório, evolução do
quadro, bem como as respostas ao tratamento médico ou cirúrgico.

A Degeneração Mixomatosa da Valva Mitral,
também conhecida como endocardiose de mitral, acomete a valva mitral
(antigamente chamada de válvula mitral). “Na prática, nada mais é do que uma
válvula localizada dentro do coração, entre o átrio e o ventrículo
esquerdo”, explica o pesquisador. A função dessa válvula é evitar que o
sangue bombeado pelo ventrículo volte para o átrio. Quando a “válvula” está
degenerada (doente), parte do sangue volta para o átrio esquerdo (ocorrendo 
regurgitação mitral) e o coração cresce. “Com isso, ele comprime um dos
brônquios e o cão começa a tossir constantemente. Com o passar do tempo,
pode ocorrer edema pulmonar (água nos pulmões) e o animal, acaba indo a
óbito por “afogamento”, complementa.
 
Não existe nenhum medicamento capaz de curar definitivamente ou
reduzir a progressão da doença
. No entanto, existem medicamentos
que são utilizados para melhorar a qualidade de vida e aumentar a sobrevida,
como diuréticos, vasodilatadores e antiarrítmicos. Os cães que não possuem
os sintomas da doença não necessitam de tratamento, apenas de acompanhamento
da evolução do quadro clínico. A única forma de cura seria a troca ou a
correção cirúrgica da “válvula” mitral. No entanto estas técnicas requerem a
circulação extracorpórea, — técnica aplicada nos casos em que o coração
precisa parar de bater para que a cirurgia seja realizada. O sangue é
desviado para uma máquina, que faz o papel do pulmão e do coração—,  um
recurso escasso na Medicina Veterinária e praticamente indisponível no
Brasil para tal fim”, revela James.

O projeto aprovado pela FAPESP propõe uma técnica
que visará reduzir o grau de regurgitação mitral, pela realização de uma
prega ao redor da “válvula”, externamente ao coração.
A técnica,
que dispensa a parada cardíaca e o desvio da circulação para a máquina
extracorpórea, pode ser uma esperança no tratamento de cães com
insuficiência cardíaca, principalmente nos casos avançados, em que o
tratamento medicamentoso já não surte efeito.

Mais informações sobre o projeto pelo telefone 16 –
37118713, com o Prof. James Andrade.

Estatísticas

A endocardiose de mitral é a afecção cardíaca mais comum
dos cães, correspondendo a 80% de todas as cardiopatias caninas e atinge
principalmente raças pequenas (“toys”), como poodle, dachshund, lhasa apso,
maltês, pinscher, entre outros. Os casos da doença estão relacionados com a
idade e com a raça, acometendo em torno de 10% da população canina com idade
entre 5 e 8 anos, 25% entre 9 e 12 anos e mais de 35% dos cães com mais de
12 anos de idade. Entretanto, dependendo do critério de avaliação, a
incidência pode ser maior do que 58% em animais acima de 9 anos de idade.
Deste modo, a doença pode atingir mais da metade da população canina idosa.

Como reconhecer a doença no cão?
 
Os animais podem ser portadores da doença, mas sem apresentar sintomas;
porém à medida que a enfermidade avança, os principais sinais observados são
tosse, dificuldade respiratória e cansaço fácil.  Nestes casos, o médico
veterinário perceberá, pelo exame físico, a presença de sopro cardíaco. Os
exames complementares, como ecocardiograma com Doppler colorido,
radiografias torácicas e eletrocardiograma definirão precisamente o
diagnóstico e a necessidade da cirurgia.


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