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Crise Nuclear: Corea do Norte x EUA

EUA, Coréia do Norte e a crise nuclear – Atualidades 

EUA, Coréia do Norte e a crise nuclear

Perfil – Coréia do Norte 

As tensões entre Estados Unidos e Coréia do Norte vêm crescendo desde outubro passado, quando Washington alegou que autoridades norte-coreanas haviam admitido a diplomatas norte-americanos possuir um programa de armas nucleares, em violação a acordos internacionais. Uma acusação que foi desmentida por Pyongyang. 

O governo norte-coreano diz que a crise só pode ser resolvida através de negociações diretas com Washington e da assinatura pelos Estados Unidos de um acordo de não-agressão.

A Coréia do Norte se retirou do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e admitiu que tentava obter uma arma atômica. 

O século XX é confuso para a península coreana. Em 1910, o Japão a anexa, após uma guerra prolongada em que derrota chineses e russos, e tenta suprimir a língua e a cultura coreanas. 

Com a rendição japonesa no fim da Il Guerra Mundial, em 1945, a península Coreana é dividida em duas zonas de ocupação – uma norte-americana, no sul, e outra soviética, no norte -, correspondendo ao antagonismo da Guerra Fria. Dirigentes do PCC (Partido Comunista Coreano) assumem posições de comando na zona soviética.

As negociações para a unificação da Coréia fracassam e, em 1948, são criados dois Estados: Coréia do Norte e Coréia do Sul. É oficializado o regime comunista na Coréia do Norte, sob a liderança de Kim Il Sung, que governa o país ditatorialmente até a morte, em 1994.

Em 1950, tropas norte-coreanas invadem o sul, numa tentativa de unificar o país sob regime comunista. A ONU decide enviar tropas. Integradas majoritariamente por soldados dos Estados Unidos (EUA), elas lançam um contra-ataque em setembro e ocupam a Coréia do Norte. Os chineses entram na guerra e, em janeiro de 1951, conquistam Seul, capital da Coréia do Sul. Uma nova ofensiva dos norte-americanos, entre fevereiro e março, empurra as tropas chinesas e norte-coreanas de volta ao paralelo 38 – a linha imaginária que separa as duas Coréias. Mais de 1 milhão de pessoas morrem em dois anos de guerra. A trégua, assinada em 1953, cria uma zona desmilitarizada entre as duas Coréias, mas o conflito continua sem solução definitiva.

A Coréia do Norte é reconstruída com a ajuda da URSS e da China, mantendo uma brutal ditadura, sobre o controle de Kim Il Sung.

Nos anos 90, o país torna-se foco de atenção da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), que suspeita da existência de um programa nuclear militar. Em julho de 1994, morre Kim Il Sung. Em meio a uma grave crise econômica, seu filho e sucessor, Kim Jong Il, assina em outubro um acordo com os EUA, em que promete abrir mão da tecnologia atômica bélica. Um mês depois, a Coréia do Sul suspende o embargo comercial à Coréia do Norte. 

No começo do século XXI, em meio à grave crise econômica, a Coréia tenta aproximar-se dos vizinhos do sul. Entretanto, os norte-coreanos, ante a demora da prometida ajuda do ocidente, retomam seu projeto nuclear, desagradando aos EUA. O presidente norte-americano George Bush incluiu a Coréia do Norte, ao lado do Iraque e do Irã, no que chama de “eixo do mal”.

O motivo da postura agressiva do ditador Kim é um mistério. Para alguns, é um indício real de sua ambição bélica. Para outros, é apenas um blefe para atrair atenção para seu país e conseguir mais ajuda externa. Há ainda outra versão: o paranóico governo norte-coreano estaria convencido de que os EUA estão decididos a atacar o país, resolvendo se antecipar e tentar assustar seus inimigos.

Os EUA, contudo, parecem estar evitando um confronto militar com a Coréia do Norte, preferindo recorrer a pressões econômicas e diplomáticas. É uma postura, portanto, bem distinta da assumida em relação ao Iraque.

O caminho escolhido tem a ver, em parte, com a probabilidade de um ataque aéreo dos Estados Unidos à Coréia do Norte provocar uma guerra na península coreana. Os Estados Unidos e a Coréia do Sul provavelmente venceriam o conflito, mas às custas de muitas baixas dos dois lados. 

Além disso, pesa o fato de que a China não aceitaria um confronto em suas fronteiras. A Península Coreana, por outro lado, perdeu muito de sua importância geopolítica com o fim da guerra fria, sendo uma área pobre de recursos minerais.

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