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Defesa do etanol

Em defesa do etanol:
pesquisadores de todo o mundo ressaltam benefícios do combustível

made in Brazil

 

Em evento na UNITAU,
especialistas rebatem críticas à

produção
brasileira de etanol a partir da cana-de-açúcar

 

O uso do etanol brasileiro
frente à produção de combustíveis a partir do petróleo foi defendido por
pesquisadores brasileiros e de outros países, no primeiro dia de debates e
apresentações orais de pesquisas do 3º Congresso Internacional Congresso
Internacional de Cooperação entre Universidade e Indústria (Unindu), nesta
segunda-feira, dia 8 de dezembro, no campus da UNTAU em Ubatuba.

O Prof. Dr. Octavio Antonio
Valsechi, da Universidade Federal de São Carlos, que atuou na criação do
programa Pró-alcool, nos anos de 1970, rebateu grande parte das críticas a
respeito da produção do etanol no Brasil.

Para Valsechi, é falso o
argumento de que o crescimento da área plantada de cana no Brasil poderá gerar
uma queda na produção de alimentos e, conseqüentemente, aumento nos preços.
“Temos 850 milhões de hectares para plantio no Brasil. Destes, 162 milhões são
subutilizados para criação de gado. Atualmente, já se sabe que é possível
manter a atividade pecuária em áreas muito menores, o que abre ainda mais
espaço para a cana”, explica.

O pesquisador aponta, ainda,
que, durante o plantio da cana, é necessário um tempo de repouso do solo,
conhecido como “período de oxigenação”, o que pode ser feito com o cultivo de
outros produtos durante a entressafra, como feijão. “Posso afirmar,
categoricamente, que esse argumento da crise de alimentos por causa da cana é
falso”, rebate.

Com pesquisas na área de
produção de álcool combustível desde 1925, o Brasil tem hoje uma produção
diária de 48 milhões de litros de etanol.

Desde o primeiro carro
movido a álcool, o Fiat 147, até a produção comercial de carros Flex Fuel,
a partir de 2019, o Brasil tem a maior frota de automóveis que podem utilizar
etanol do mundo. Até 2019, 65% dos carros brasileiros já serão bicombustíveis,
de acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos (Anfavea).

E veio da Colômbia outro
palestrante defensor do uso do etanol numa escala ainda maior. Willian
Hernando Lizcano Valbuena, da Universidade Del Valle, defende a ampliação do
uso do etanol em veículos de grande porte, como caminhões e ônibus, que hoje
correspondem aos maiores poluidores de grandes centros urbanos. Ele citou o
exemplo de cidades como São Paulo, que tem uma frota de 400 mil caminhões, e
que pode reduzir sensivelmente a poluição nas zonas centrais apenas com a
substituição do diesel por etanol. Ele estuda a criação de canalizadores mais
eficientes, capazes de eliminar os resíduos poluentes que o etanol também
libera na sua combustão. “O etanol é bem menos poluente até mesmo que o
metanol e o diesel, mas ainda assim podemos tentar eliminar a poluição
residual advinda de sua queima”, explica.

Os pesquisadores ainda são
unânimes em destacar outros usos do etanol, como a produção do hidrogênio para
fins de geração de energia. “O uso do hidrogênio como combustível garante uma
poluição zero e, no futuro, poderá ser extraído do próprio etanol que nós
fabricamos no Brasil”, ressalta Valsechi

 


MAIS ETANOL

– As discussões temáticas sobre etanol e geração do hidrogênio continuam no 3º
Unindu. Reunindo pesquisadores e especialistas de mais de 20 países, dentre
eles Itália, Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Canadá,
Croácia, Cuba, Espanha, Japão, Paraguai, Porto Rico, Portugal, Suécia, México,
Uruguai, Finlândia, Inglaterra e Venezuela, o Congresso ainda tem uma
programação paralela que envolve outros três encontros internacionais: o
“Workshop Ibero-americano em Células de Hidrogênio Combustível”, o “4º
Workshop Cooperação Universidade-Empresa” e o Fórum Global com o tema “A
matriz energética no Brasil e no mundo”, discutindo processos de substituição
comercial do petróleo, com uso da energia mais limpa advinda a partir do
hidrogênio e etanol.

A programação tem mais de
100 conferências, apresentações orais e debates previstos para serem
realizados até o próximo dia 10 de dezembro. Todos os horários e locais das
atividades estão disponíveis no site
www.unindu.org

(em inglês).

 


Getulio Marques/ACOM/UNITAU

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