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Diesel ou etanol

Cientistas ressaltam
necessidade da substituição da frota brasileira de veículos a diesel por etanol

 

Os estudos sobre substituição
do diesel por etanol nos motores da frota de caminhões e ônibus dos grandes
centros urbanos parecem apontar para um caminho natural no Brasil. Com algumas
experiências relativamente novas, principalmente em São Paulo, as empresas já
começam a se dar conta das vantagens, não apenas ambientais, mas econômicas, no
uso do etanol em veículos de grande porte. Durante o 3º Congresso Internacional
Congresso Internacional de Cooperação entre Universidade e Indústria (Unindu),
promovido pela Universidade de Taubaté (UNITAU) até dia 10 de dezembro, no
campus
de Ubatuba, as discussões destacaram os benefícios do etanol frente
ao diesel também nos motores de caminhões e ônibus.

O estudante de Engenharia
Mecânica da Universidade de São Paulo (USP), Euler Hoffman Melo, que participa
de um projeto pioneiro junto com empresas de transporte coletivo paulistanas na
substituição de motores a diesel por álcool, ressaltou que os ganhos econômicos
dessa troca já tornam a experiência viável. “O custo de produção de um ônibus
movido a etanol hoje é, apenas, 5% maior se comparado ao custo de um caminhão a
diesel. Mas o ganho econômico no valor do litro do etanol frente ao diesel
compensa o custo mais alto do motor”, explicou Melo, durante a apresentação se
sua pesquisa no Unindu.

Melo ainda ressaltou que a
redução da emissão de poluentes com os motores movidos a etanol é significativa,
podendo apresentar 70% menos resíduos, se comparado aos motores a diesel,
principalmente dos modelos mais antigos. E a substituição da frota de caminhões
e ônibus por veículos menos poluentes, sem dúvida, já vem tarde no Brasil. Para
se ter uma idéia, a frota de ônibus do sistema de transporte coletivo, que
circula diariamente no município de São Paulo, é de 15 mil veículos, de acordo
com a SpTrans – companhia pública que opera o sistema de transporte na cidade. O
crescimento do número de caminhões também é impressionante: são 500 novos
veículos desse porte emplacados todo mês, de acordo com a Prefeitura de São
Paulo.

Para o pesquisador peruano
radicado no Brasil, com doutorado em Engenharia Mecânica pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Julio César Cuisano Egusquiza,
a solução para o problema poderá vir mais rápido do que se imagina. Ele propõe
em suas pesquisas uma adaptação mais simples nos motores dos caminhões,
principalmente os mais antigos, que poderiam ter um grande corte na emissão de
gases poluentes. “Se adaptarmos os motores dos caminhões, a um custo bem mais
baixo, para que eles tolerem uma mistura de 70% de etanol e 30% de diesel,
teremos uma redução significativa na emissão de poluentes num prazo mais curto
do que se esperamos a renovação da frota por modelos novos”, explicou. Egusquiza
ressaltou, ainda, que a queda do rendimento do motor funcionando com mais etanol
e um pouco de diesel é quase nula.

 

MOVIMENTO DOS ANIMAIS
– Uma das grandes apresentações do segundo dia de atividades do UNINDU foi a do
professor norte-americano Asfaw Beyene, da Universidade Estadual de San
Diego. Numa conferência descontraída, o professor falou dos estudos de
engenharia que se baseiam no movimento dos animais. Beyene estuda, na
Califórnia, um novo tipo de turbina, que pode ser utilizada em aviões comerciais
ou militares, que têm uma hélice flexível capaz de criar um movimento
circulatório de vento muito mais estável para as aeronaves. “Posso dizer que,
atualmente, muitos pesquisadores tendem a seguir o movimento dos animais,
principalmente em aplicações aerodinâmicas. Na minha pesquisa, aponto a
utilização de uma hélice flexível, que cria um movimento de redemoinho (twist)
semelhante ao impulso dado pelo rabo de um peixe quando salta da água”,
explicou.

 


PROGRAMAÇÃO

Realizado pela
UNITAU, em parceria com a Universidade de Perugia (Unipg, Itália), com a
Universidade Estadual de San Diego (SDSU, Estados Unidos), com a Faculdade de
Engenharia de Guaratinguetá (Unesp) e com a Universidade Federal de Itajubá (Unifei),
o 3º Congresso Internacional Congresso Internacional de Cooperação entre
Universidade e Indústria (Unindu) terá ainda discussões mais amplas sobre as
principais questões que abrangem a  produção de energia limpa, até o próximo dia
10. Mais informações no site
www.unindu.org
(em inglês).

 

 Getúlio
Marques – ACOM/UNITAU

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