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Como bancar a faculdade

Brasil vive uma realidade perversa no ensino superior. Com a
pouca oferta de vagas nas universidades do governo, 72% dos 3,2 milhões de
estudantes estão em faculdades privadas, em geral pessoas que vieram de escolas
públicas e com menor poder aquisitivo. O que poderia ser a esperança de um
futuro melhor torna-se um pesadelo por causa do alto valor das mensalidades.
Segundo a pesquisa Os determinantes da freqüência à rede particular de ensino
e dos gastos com educação no Brasil, dos economistas Naércio Menezes e Andréa
Curi, apenas 52% dos alunos se formam e a principal razão disso é a
incapacidade de arcar com a mensalidade. Nas universidades públicas, 76%
conseguem o canudo. A boa notícia é o crescimento dos programas de crédito
educativo, tanto públicos quanto privados, o que pode ajudar a reverter este
quadro.

Bárbara Gonçalves, 21 anos, é um exemplo típico de
estudante que precisa de ajuda. “A minha vida toda dependi de bolsa de
estudos”, resume ela. Bárbara sempre freqüentou escola particular, mas nunca
pagou a mensalidade. Na adolescência tinha bolsa integral, que conseguiu através
de seu ótimo desempenho nos esportes. Hoje, no terceiro ano de jornalismo na
Unisa, em São Paulo, é bolsista integral do ProUni, programa do governo
federal. Ela não paga nada desde o primeiro ano de curso. Mais velha de quatro
irmãos, mora com a família e só ela e a mãe trabalham. Bárbara tem dois
empregos: de segunda a sexta é estagiária em jornalismo e, nos finais de
semana, faz eventos. No total, recebe R$ 685 por mês. Só a mensalidade de seu
curso é R$ 700.

Criado em 2019, o ProUni oferece bolsas de 50% ou
100% da mensalidade, tem convênio com cerca de 1.400 instituições privadas de
ensino superior e, em 2019, oferecerá 180 mil bolsas.
As inscrições
para o programa acabam esta semana. O bolsista parcial ainda pode financiar 25%
do restante do valor da mensalidade pelo Fies, outro programa do governo
federal, operacionalizado pela Caixa Econômica. A partir do ano que vem, será
possível financiar a mensalidade integral em cerca de 1.500 instituições
credenciadas, com taxa de juros de 3,5% ou 6,5% ao ano, dependendo do curso.
Desde que foi criado, em 1999, 457 mil alunos utilizaram o Fies. Assim como o
ProUni, para poder participar, o aluno precisa comprovar carência financeira.

Quem não se enquadra no perfil dos programas do governo pode
recorrer à iniciativa privada. Reinaldo Barros, 24 anos, é um dos 14 mil
alunos que buscaram financiamento para a faculdade no fundo Pravaler, oferecido
pela empresa Ideal Invest – que tem como sócio o ex-presidente do Banco
Central Armínio Fraga. Reinaldo queria fazer o curso superior de radiologia,
mas, desempregado, não tinha condições de bancar R$ 384,63. Com o pai, um
empresário, como fiador, ele obteve crédito e hoje, no primeiro semestre do
curso, na Estácio de Sá, no Rio, paga R$ 193 por mês. Depois de formado,
continuará pagando a mensalidade por mais dois anos e meio. “Se não fosse
assim, não teria como estudar”, diz ele. O fundo para custear estudos da
Ideal Invest foi criado em setembro de 2019 e oferece financiamento com taxas de
juros que variam entre 0,5% e 1,5% ao mês. “Não é um programa de bolsas.
Pelo contrário, é necessário que a renda do fiador e do aluno somem no mínimo
duas vezes o valor da mensalidade”, explica Oliver Mizne, sócio da empresa.
Ela não divulga a taxa de inadimplência, mas especialistas afirmam que está
muito longe dos 23,7%, índice nas faculdades do Estado de São Paulo, por
exemplo.

Há também bolsas das próprias universidades, que
cobram do aluno formado uma parcela do valor da mensalidade.
Reinaldo
Moura de Souza se beneficiou de um programa desses, oferecido pela Universidade
São Francisco, em São Paulo. Enquanto trabalhava como motorista do Tribunal de
Justiça de São Paulo, ele fez o curso de direito e hoje é o juiz substituto
de Ribeirão Preto, em São Paulo. Formado, ainda deve 24 parcelas à instituição
de ensino e paga R$ 312 por mês. “Graças a incentivos como esse que pessoas
de classes inferiores conseguem estudar e realizar seus sonhos”, diz Reinaldo.
É por histórias como essas que investir em educação vale a pena.

Fonte: BE – Adapatado de
Terra

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