Menu fechado

Mudanças climáticas abre campo para Meteorologistas

Segundo Sociedade
Brasileira de Meteorologia, há demanda por profissionais. Profissional pode
atuar em empresas públicas e privadas.

Mudanças climáticas abrem
campo de atuação na meteorologia

Aquecimento global e mudanças climáticas ocasionadas pela
destruição ambiental são temas em evidência atualmente. Por isso, os
meteorologistas podem ser considerados como grandes “lançadores de tendências”.
É que foi a Organização Meteorológica Mundial (OMM) uma das primeiras
entidades a chamar a atenção para o problema da emissão de gases poluentes.

Em 1988, junto do Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (Pnuma), a OMM constituiu o Painel Intergovernamental sobre Mudanças
Climáticas (IPCC), estabelecido para gerar e oferecer informações científicas
sobre alterações relevantes no clima da Terra. A preocupação ambiental é
terreno fértil para o trabalho de meteorologistas.

“Sinceramente temos uma demanda muito grande por
profissionais. Sou bombardeada por pedidos de recém-formados”, afirma a
presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMET), Maria Gertrudes
Alvarez Justi da Silva. A razão é simples: “As universidades formam poucos
profissionais e há evasão grande pela dificuldade no ciclo básico”, diz.

No Brasil, a maior parte das vagas oferecidas para
meteorologistas ainda está em órgãos públicos de pesquisa e universidades.
No entanto, de acordo com a professora Maria Gertrudes, empresas privadas já
buscam profissionais, principalmente no Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

“A agricultura começa a contratar, órgãos de comunicação,
há necessidade de profissionais para o turismo, o lazer, o esporte. Por
exemplo, quem faz montanhismo quer saber as condições do tempo. Quem veleja
tem de ter precisamente a velocidade do vento”, conta.

Exercício profissional

Para atuar na área, o meteorologista precisa ser registrado
no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), órgão que
fiscaliza o exercício profissional. No entanto, segundo Maria Gertrudes, não são
todos que se cadastram no órgão.

O piso salarial sugerido para a carreira é o mesmo que o
estabelecido para os engenheiros: para uma jornada diária de seis horas, o
funcionário deveria receber seis salários mínimos, o que hoje equivale a R$
2.490. Para quem exerce jornada diária de oito horas, o piso é de 8,5 salários,
num total de R$ 3.527,50. Mas, em geral, órgãos públicos tendem a pagar
valores mais baixos que o piso para um iniciante.

Dificuldades na carreira

Apesar do crescimento da área, nem tudo é comemoração na
carreira. De acordo com o coordenador do curso de meteorologia da Universidade
de São Paulo (USP), Amauri Pereira de Oliveira, o país tem defasagens em
equipamentos de medição e falta de dados para análises.

“Estamos atrasados cerca de 50 anos, com relação a outros
países. Há computadores novos, mas não há informação. Falta gente atuando
na área”. Por outro lado, a falta de meteorologistas pode ser um estímulo:
“Não tem ninguém formado que não esteja trabalhando”, diz.

Meteorologia exige base sólida em exatas

Ciência que estuda o comportamento da atmosfera não tem
nada de adivinhação.
Por isso, disciplinas de física e matemática são densas.

Tem gente que gosta de olhar para as nuvens e imaginar
formas, como uma maneira de passar o tempo. Outras pessoas fazem disso sua
profissão. É claro que o dia-a-dia do meteorologista não é só observar o céu:
este profissional faz cálculos a partir dos fenômenos da atmosfera para prever
chuvas, períodos de seca, alterações climáticas.

Apesar de a previsão do tempo ser conhecida de todos, a
carreira do meteorologista ainda é pouco divulgada no país. E ela está
presente em mais campos do que você pode imaginar.

Na agricultura, uma informação equivocada sobre chuvas pode
levar à perda de toda uma safra. A decolagem e o pouso de aeronaves são
assistidos por um meteorologista que fica nas torres de controle; a navegação
marítima depende de informações sobre o estado do mar e da atmosfera; até o
turismo depende de dados sobre o tempo já que ninguém gosta de viajar em dias
feios.

E meteorologia não tem nada de adivinhação. Por isso, de
acordo com o professor Isimar de Azevedo Santos, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), o estudante que ingressa neste curso superior terá os
primeiros anos bem carregados em exatas.

“No início da graduação, as disciplinas são as mesmas
da engenharia. Existe a aparência de que é um curso fácil de entrar, mas tem
um ciclo básico bastante denso em física e matemática”, afirma. Para gostar
do curso é preciso, de acordo com Santos, gostar de ciências ambientais e ter
prazer de observar a natureza.

É possível optar pela graduação em oito instituições,
todas públicas, de acordo com dados do Ministério da Educação (MEC). O tempo
mínimo exigido para conclusão é de quatro anos, densos em atividades e
disciplinas.

Talvez, a dificuldade associada ao desconhecimento da
carreira, leve à alta evasão na faculdade. Segundo o coordenador do curso da
Universidade de São Paulo (USP), Amauri Pereira de Oliveira, como a
meteorologia só é abordada na geografia no ensino básico, existe uma
dificuldade na compreensão da amplitude do curso. “Em 30 anos a USP formou
cerca de 200 meteorologistas”, revela.

Para quem quer ser pesquisador, o campo tem boas vantagens: há
possibilidade de estudar no mundo todo as mudanças climáticas e os fenômenos
da atmosfera. Além disso, segundo Oliveira, o campo de pesquisas é vasto.

“Há gente interessada na pesquisa aplicada à poluição
atmosférica, em melhorar a previsão do tempo, em conforto térmico. Nós
interagimos com todas as áreas”. Há até um campo de estudo chamado
biometeorologia, que investiga as relações do homem com o tempo e com o clima.
“Há pesquisas sobre as variações de temperatura e o estresse”, diz.

O curso tem uma carga teórica alta, que é complementada com
atividades de pesquisa e prática de previsão do tempo, por exemplo. “A
atmosfera é o maior laboratório que existe para o meteorologista”, diz
Oliveira.

Fonte: .g1.com.br

Veja também: