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Saiba como fazer um intercâmbio com sossego

A desvalorização do dólar promete impulsionar a procura de estudantes brasileiros por cursos no exterior. Mas o que é preciso para chegar a um país desconhecido? E como se livrar dos problemas por não entender bem a língua?

Nátalia Peppe Bonavita, 23 anos, formada em hotelaria, passou por uma fria em 2019, quando, em seu segundo intercâmbio, viajou para Sidney, na Austrália, como responsável por seus dois irmãos mais novos. Na época, ela ainda não dominava completamente o inglês, e hoje, distante do fato, ri de ter ficado perdida no aeroporto cheia de bagagens.

“Não se estresse com o que vão pensar”, diz intercambista

O medo de encontrar uma cultura diferente que não entende seu idioma ou o receio de parecer fora de moda vestindo as roupas do Brasil em outro país não devem atrapalhar quem procura um curso ou trabalho no exterior. A dica é de Nátalia Peppe Bonavita, 23 anos, que já acumula dois intercâmbios no currículo, um no Canadá e outro na Austrália.

“Não se estresse com o que vão pensar ou com o que vão deixar de pensar. A viagem é um momento único e vale a pena fazer tudo o que é possível. É claro que é preciso saber das responsabilidades e do que pode ou não pode no país”, diz.

Para aproveitar bem o curso, vale ficar de olho se a sala de aula oferece a melhor possibilidade de aprendizagem. No Canadá, Natália se sentiu deslocada na sala de aula e pediu para trocar. “Disse que não estava me sentindo bem e que não via minha evolução. Não pode ter medo de conversar com as pessoas.”

Outra dica de Natália é evitar as neuroses com dinheiro: quem separou um dinheiro para a viagem deve fazer tudo o que tiver oportunidade, segundo ela. “Queria ter andado de limousine com meus amigos, mas não andei. Todo mundo foi e eu nunca ia estar num carro desses aqui no Brasil. Então, se tiver a oportunidade de fazer qualquer coisa, faça.”.

As lembranças, segundo ela, valem uma boa parte do investimento. Até hoje Natália mantém vínculos com as casas em que foi hospedada ou com amigos que fez no percurso.

Responsabilidade na cabeça

Já Felipe Aragonez, 22 anos, que fez um semestre da graduação de jornalismo em Madri, na Espanha, adverte para os cuidados na preparação. “Eu não passei perrengue. Foi tudo tranqüilo. No começo tive um pouquinho de dificuldade com o idioma. Mas espanhol é parecido com português e consegui me adaptar”, disse. “Sempre é bom saber um pouquinho do idioma e pesquisar bastante antes de viajar, para não se arrepender”.

Felipe conseguiu ainda, após o curso, viajar por boa parte dos países da Europa continental. E fica em sua bagagem também uma visita de bicicleta pelo caminho de Santiago de Compostela, passagem tradicional de peregrinos na Espanha.

Outras dicas? Para ele é fundamental ser responsável, organizado e não extrapolar os limites. “Tem gente que sai das asas do pai assim e quer dar um pulo maior do que a perna.”
“Meu vôo atrasou e estávamos com muitas malas. Tínhamos de pegar um táxi, mas estávamos em um terminal que não tinha acesso. Fiquei numa agonia com a mala e no desespero de que ninguém ia falar comigo”, lembra. “Na hora, só pensava na minha casa, queria sair dali, queria que alguém me entendesse. Ainda bem que logo em seguida deu tudo certo”.

De acordo com Samir Zaveri, coordenador do Salão do Estudante, os principais problemas enfrentados pelos intercambistas são a não-adaptação ao país ou ao curso, as dificuldades com a comida do local, com a língua, a saudade da família e até o desconforto na moradia. Isso se o estudante tiver toda a documentação certinha.

Documentos

“Os cuidados para não ter problemas no exterior são o passaporte atualizado e todos os documentos em mãos: visto, vacina, seguro, cartão internacional e estimativa de gastos”, explica Zaveri. De acordo com ele, o número dos intercambistas barrados nos aeroportos do exterior é estatisticamente pequeno, desde que todas as formalidades estejam em dia.

Antes de qualquer coisa, a recomendação é pesquisar bastante, verificar as instituições que oferecem o curso, decidir a cidade em que vai estudar e consultar as regras do consulado do país de destino. Também é importante fazer a opção com consciência sobre o tipo de moradia – é possível ficar em casa de família, em albergues ou em residências estudantis.

Custo

Para ficar três meses na Austrália em uma casa de família e estudando inglês, Natália estima ter gasto cerca de R$ 13 mil em 2019. “No primeiro intercâmbio que fiz, de um mês no Canadá em 2019, devo ter pago mais ou menos R$ 8 mil”, afirma.

O preço de uma viagem varia de acordo com o país selecionado, com o tempo de duração e com o tipo de curso que o estudante pretende realizar. Segundo Samir, é possível até mesmo conseguir uma verba extra com atividades remuneradas.

“Na Irlanda, por exemplo, a pessoa pode ficar um período de seis meses trabalhando e estudando sem ter visto. E esse prazo pode ser estendido por mais seis meses caso o contrato de trabalho se renove. O custo de vida é mais barato comparado a Londres”, diz.

Tipos de intercâmbio

O idioma mais procurado em cursos por estudantes ainda é o inglês, alvo do desejo de 53% do público que visitou o Salão do Estudante no ano passado. A organização da feira forneceu questionários para os visitantes e neles era possível manifestar mais de uma escolha. Assim, aparecem logo em seguida espanhol, com 34%, alemão, com 21%, e italiano, com 20%.

As modalidades preferidas ainda são os cursos de línguas, com 42% do público interessado. E, pasme, se você pensa que os Estados Unidos é o país mais procurado, engana-se. Canadá é o destino predileto de 41% dos que planejavam viagem no evento do ano passado.

por G1/GLOBO.COM

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