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O Ataque a Pearl Harbor

Aquele era um período de muita tensão. Ocorria a 2ª Guerra Mundial. Entretanto, Estados Unidos e Japão ainda não estavam participando desta guerra. O ano era 1940. As relações diplomáticas entre esses dois países vinham se deteriorando, já que o Japão cobiçava produtos como petróleo, minérios e borracha de colônias do Pacífico e os EUA não aprovavam a posse dessas colônias nem de seus produtos por parte do Japão.

Para tentar fortalecer a costa pacífica e protegê-la contra possíveis ataques japoneses, o então presidente norte-americano Roosevelt ordenou a transferência de endereço da frota americana, antes situada na Califórnia, para Pearl Harbor, no Havaí. Além disso, Roosevelt decretou embargo para dois produtos que o Japão importava dos EUA: sucata de ferro, matéria-prima do aço e combustível. Tal atitude tinha o objetivo de enfraquecer o Japão.

Mas o inimigo norte-americano estava realmente disposto a formar o chamado “Grande Leste Asiático” e, para isso, precisava da anexação de tais colônias. Assim, ainda em 1940, no mês de setembro, o Japão recebe o apoio da Alemanha e da Itália através do Pacto Tripartite. Para os Estados Unidos, tal pacto significou uma afronta.

No início de 1941, os EUA já traçavam planos de guerra ao lado da Inglaterra e, apesar de não estarem ainda declaradamente participando dos conflitos, submarinos alemães já atacavam destróieres americanos no Atlântico.

Nesse período, o almirante japonês Isoruku Yamamoto enviou uma carta ao ministro da Marinha comentando, entre outros, a importância do ataque a Pearl Harbor. Ele tinha a crença de que se atacassem os EUA de surpresa, poderiam fortalecer seus planos de adquirir as colônias do Pacífico. E o plano foi então levado adiante.

Na ilha de Kiushu, no Japão, o comandante Mitsuo Fuchida treinou pilotos durante vários meses para o grande ataque. O porta-aviões Akagi havia rumado para a ilha, a qual tinha um desenho que lembrava muito o Havaí.

Em novembro, a força japonesa de ataque (seis porta-aviões, entre eles o Akagi, dois encouraçados, três cruzadores, nove destróieres e oito navios-tanque para reabastecimento) rumaram em direção ao seu alvo. Para não serem detectados em seu caminho, o curso escolhido pelos navios japoneses diferia das rotas usuais.

A comunicação entre os japoneses era realizada em código através de aparelhos de telégrafo. Há algum tempo os americanos vinham interceptando tais mensagens e começaram a ficar em alerta diante das intenções dos japoneses, os quais teoricamente negociavam a paz com os americanos, mas na prática pareciam estar querendo algo bem distante disso.

Sábado, 6 de dezembro de 1941. O minissubmarino japonês I-24 é lançado ao mar numa noite enluarada, em que provavelmente grande parte dos oficiais americanos estavam se divertindo e não imaginavam o que lhes aguardava algumas horas depois.

Domingo, 7 de dezembro de 1941. Às 6:40 o minissubmarino I-24 é bombardeado por um destróier norte-americano. É o início do ataque a Pearl Harbor. Nesse momento, em Washington, a equipe de criptografia consegue decifrar um trecho de uma mensagem enviada de Tóquio para a embaixada japonesa dessa cidade. Ela dizia que as negociações de paz deveriam ser interrompidas às 13:00 (hora de Washington e 7:30 no Havaí), ou seja, tal texto significava que uma guerra poderia ocorrer a qualquer momento. O general George C. Marshall, chefe do Estado-Maior do Exército envia, então, uma mensagem ao general Walter C.Short no Havaí, avisando do perigo iminente de uma guerra, mas como as comunicações eram lentas, tal mensagem só foi chegar no final dos ataques. Tarde demais.

Os japoneses agiam numa velocidade incomparável. Um exemplo disso foi que em apenas 15 minutos, 183 aviões de caça, bombardeiros e torpedeiros decolaram. Os ataques eram fulminantes. Um soldado que estava lá embaixo e não esperava que algo assim acontecesse, descreve os ataques japoneses como “algo totalmente fora do comum”.

Bombardeiros de mergulho, a 3,6 mil metros de altitude, atacaram o campo Wheeler, ao norte de Pearl Harbor, e o campo Hickam, a sudeste de Battleship Row. Esses campos eram fundamentais no Havaí. Os vôos eram tão baixos que se podia ver os rostos dos pilotos.

Enquanto isso, aviões americanos eram abastecidos rapidamente e colocados no ar na tentativa de reagir de alguma maneira àquela matança. Os famosos encouraçados norte-americanos (conhecidos como California, Oklahoma, Maryland, West Virginia, Tennessee, Arizona e Nevada) estavam ancorados. Assim, foram alvos fáceis ao ataque de torpedeiros japoneses.

Pearl Harbor e redondezas em poucos minutos se tornou um inferno. Como haviam sido tomados de surpresa, ficou difícil para os oficiais americanos agirem à altura. Em 2 horas , milhares de vidas foram mortas. O cenário final era aterrorizante. Bombardeiros aéreos, torpedeiros, bombas submarinas, atiradores de elite, navios destroçados, mortos, feridos chegando em hospitais à beira da morte…

Na tarde de 8 de dezembro, já se podia ter uma certa noção dos estragos. Das quase 400 aeronaves militares americanas no Havaí, apenas um quarto ainda tinha condições de voar após o ataque. Já em relação aos navios, o resultado foi melhor: com exceção do Arizona, do Utah e do Oklahoma, os demais poderiam ser concertados e voltariam ao mar.

Esse trágico episódio marcou a entrada dos Estados Unidos na 2ª Guerra Mundial. Assim como agora, depois dos atentados terroristas a Nova Iorque e Washington, naquela época os americanos se sentiam feridos e queriam revanche. Mas existe uma diferença fundamental entre essas duas épocas: naquele tempo, sabia-se quem eram os inimigos e onde eles estavam. Agora, não se sabe. O terrorismo tem seguidores no mundo todo, de diferentes religiões e filosofias. Naquele tempo, os EUA reagiram com total força: todos os porta-aviões, encouraçados e cruzadores japoneses que atacaram Pearl Harbor foram afundados pela Marinha norte-americana. Além disso, a cidade de Nagasaki, onde foram fabricados os torpedos especiais, foi destruída por uma bomba atômica americana. E não esqueçamos do ataque a Hiroshima. O povo americano se sentiu vingado. Entretanto, milhares de inocentes foram mortos nessa vingança. Será que, agora, também queremos que mais inocentes morram? Essa pergunta fica para cada um de nós refletir …

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