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Primeiro Reinado no Brasil

Consolidar a independência

A primeira tarefa de D. Pedro primeiro foi consolidar a independência. No nordeste e no norte, militares e comerciantes portugueses lutavam contra o governo local. Sem exercito suficiente para combater os revoltosos, D. Pedro I contratou os serviços dos mercenários. Durante um ano de confrontos entre tropas portugueses e governo brasileiro, os brasileiros conseguiram em meados de 1823, em que todo o país estava sob comando sob o novo imperador.

Reconhecimento internacional da independência

As demais nações não admitiam a independência do Brasil, uma porque as nações americanas utilizavam o sistema de republica e o Brasil utilizava a monarquia. Portugal tambem não queria reconhecer a independência, mas com mediação da Inglaterra chegou-se a um acordo em que reconheceria a independência em troca de uma indenização de dois milhões de libras esterlinas a ser paga pelo Brasil. Para pagar tal divida, o Brasil recorreu ao empréstimo dos ingleses começando aí a divida externa existente até os dias atuais. A Inglaterra exigiu tambem que o Brasil acabasse com o trafico negreiro o mais rápido possível e o Brasil imediatamente aderiu à exigência.
Outros países exigiram ao Brasil a igualdade dos privilégios dados aos ingleses, à taxa de importações de 15% de impostos. Aproveitando as facilidades concedidas às importações o mercado brasileiro estava repleto de produtos estrangeiros. Assim durante o primeiro império as importações foram bem maiores que as exportações dando problemas financeiros ao governo, tendo eles a recorrer aos empréstimos dos bancos estrangeiros, aumentando a divida externa.

A primeira constituição brasileira 

Em três de maio de 1822 foi constituída a primeira constituição do Brasil, sendo que a maioria dos membros da assembléia constituinte pertencia ao partido brasileiro que representava e defendia os interesses dos grandes proprietários rurais.

Projeto de constituição da assembléia de 1823 

O projeto de constituição tinha três características básicas:
§ Anticolonialismo: firme oposição dos portugueses que ainda ameaçavam a independência brasileira e desejavam a recolonização do país.
§ Antiabsolutismo: preocupação de limitar e diminuir os poderes do imperador e valorizar e aumentar os poderes do poder legislativo.
§ Classismo: a maioria do povo não era considerada cidadão, não tinha o direito de votar nem de ser votada. O projeto estabelecia que o eleitor precisasse ter renda anual equivalente a 150 alqueires de mandioca.

Reação de D. Pedro I

D Pedro I irritado com as leis da constituição decretou a dissolução da mesma e os deputados que reagissem contra o imperador foram presos e expulsos do país. Apoiado diretamente pelo partido português, D Pedro assumiu o comando inteiro da nação. Essa dissolução da constituição foi interpretada pelos brasileiros como um passo pela recolonização. Já o partido português acreditava que apoiando o imperador, o mesmo poderia reforçar os laços com Portugal e assim a metrópole recolonizava o país.

D. Pedro outorga a primeira constituição 

Diante a dissolução da primeira constituição o partido brasileiro se revoltou e para acalmar os ânimos da população, o imperador nomeou 10 brasileiros para formar uma nova constituição em 40 dias. Terminado o tempo dado escreveu assim a constituição de 1824.

Principais características da constituição de 1824

Organização dos poderes:
§ Poder judiciário: composto por juizes e tribunais, seu órgão máximo era o supremo tribunal. Tinha funções de aplicar as leis e distribuir a justiça;
§ Poder legislativo: composto de senadores e deputados tinha a função de elaborar as leis do império.
§ Poder executivo: exercido pelo imperador através de seus ministros de estados. Tinha a função de garantir o cumprimento das leis.
§ Poder moderador: exclusivo do imperador e definido pela constituição como a “chave-mestra” de toda organização política. Estava acima dos demais poderes.
Sistema eleitoral: o voto era censitário, isto é, o direito eleitoral condicionado a certos níveis de renda. Para votar, a pessoa precisava ter renda anual de 100 mil-réis.
A religião oficial da nação era o catolicismo e as demais existiam, porém não podiam ter cultos em templos específicos.

Confederação do Equador

O autoritarismo de D. Pedro I provocou grande revolta nos políticos de pensamento liberal. A resposta mais energética dos liberais às atitudes autoritárias de D Pedro I, explodiu no nordeste a confederação do Equador liderada pela província de Pernambuco. Nessa época o nordeste apresentava uma grande crise econômica pelo fato da queda das exportações do açúcar, essa crise atingia todas as classes sociais desde os mais ricos aos mais pobres. Sendo assim diferentes setores da sociedade se uniram contra o governo e a idéia contraria a monarquia.
Os principais focos da revolta eram as cidades de Recife e Olinda, mas de maneira geral a revolta se espalhou para o Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas.
As províncias rebeldes pretendiam fundar um novo estado no nordeste, independente do governo. Ele se chamaria Confederação do Equador e a forma de governo seria a republica federalista.
Assim os lideres democráticos da confederação defendiam a extinção do trafico negreiro. Essas idéias, porem, assustaram a classe mais ricas que dependiam dos escravos financeiramente, em que os mesmos abandonaram o movimento. Abandonado pela elite o movimento consequentemente enfraqueceu e não conseguiu resistir ao ataque das tropas do governo. Atacados por mar e terra, os revolucionários da confederação do Equador foram derrotados, presos e condenados à morte.

Guerra da cisplatina
O território que corresponde ao Uruguai era a antiga colônia do sacramento, fundada pelos portugueses e colonizada pelos espanhóis. Os habitantes da Cisplatina, não aceitavam pertencer ao Brasil, pois tinha idioma e costumes diferentes. Em 1825 explodiu o movimento de libertação da Cisplatina, apoiado pela Argentina. Reagindo a revolta D. Pedro I atacou a Argentina, o que o obrigou a gastar muito dinheiro publico, agravando os problemas econômicos do país. 
A guerra da Cisplatina terminou em 1828, quando foi assinado um acordo entre as partes do conflito. Mas uma vez a Inglaterra agiu como mediadora. A guerra da Cisplatina e seu desfecho desfavorável ao Brasil contribuíram para desgastar a imagem política de D. Pedro I. O dinheiro gasto na guerra causou grande desequilíbrio à economia brasileira. A crise econômica mostrou toda sua força em 1829, quando foi decretada a falência do país.

Abdicação de D. Pedro I

Vários fatores foram se somando contra a impopularidade do imperador, entre esses destacam:
Fatores políticos: o estilo autoritário de D Pedro I gerava a reação tanto de políticos liberais quanto de moderados. acrescenta-se a isso o conflito entre o partido português e os brasileiros, devido ao envolvimento de D. Pedro I com a sucessão monárquica portuguesa.
Fatores econômicos: a balança comercial brasileira acumulava déficits em função do desequilíbrio entre os gastos com as importações e a receita declinante das exportações e a divida externa aumentou.
Estopim da crise: em novembro de 1830, foi assassinado em São Paulo e jornalista Libero Badaró, um importante líder da imprensa de oposição. A impunidade do mandante do crime provocou uma onda de indignação nacional e repercutiu contra o autoritarismo governamental do império.

Ultima cartada de D. Pedro I

Tentando impedir uma revolta geral da sociedade, D. Pedro I organizou um ministério formado só por brasileiros. O imperador demitiu o ministério dos brasileiros, que não obedecia totalmente a suas ordens e nomeou um novo ministério composto só de portugueses.
A aristocracia rural, os políticos liberais e até mesmo a tropa imperial uniram-se contra o imperador. Percebendo a difícil situação em que se encontrava, o imperador decidiu abdicar o trono em favor de seu filho Pedro de Alcântara, um menino de apenas cinco anos.

Rumos da abdicação 

A abdicação representou a derrota dos grupos absolutistas de partido português e a vitória dos brasileiros. Com astúcia, os ricos dirigiram a oposição a D. Pedro I, utilizando as classes populares como a massa de manobra. O desfecho foi previsível: assim que o imperador deixou o país, as classes ricas assumiram o poder e expulsaram os representantes das classes populares da cena política.
Afinal não era apenas D. Pedro I o único obstáculo à realização de uma ordem social mais justa e mais democrática.

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