Menu fechado

Redação para vestibular

 

Geralmente são requisitados 3 tipos de redação em uma
prova de vestibular

O concurso vestibular apresenta geralmente três propostas,
ou tipos para a redação. Cada uma delas  deve ser desenvolvida em um tipo
de texto específico. São dois os motivos que explicam tal decisão:

  • O pressuposto de que, dados três temas, você tem a possibilidade de
    escolher aquele que tem condições de desenvolver melhor, no tipo de
    texto especificado
    .

  • A certeza de que é possível avaliar, na sua redação, as mesmas
    habilidades, qualquer que tenha sido sua escolha quanto ao tipo de texto.

        Define-se, ainda, para cada um dos
temas de redação dos vestibulares, um tipo de texto específico: um texto
dissertativo, um texto narrativo, ou uma carta argumentativa
. Assim, é
muito importante que você saiba que, ao escolher um dos temas, já está
escolhendo o tipo de texto que irá desenvolvê-lo.

Perceba que o elemento determinante da opção por um ou
outro tema deverá ser sempre a leitura cuidadosa de cada uma das propostas
feitas no exame vestibular. Só você, candidato, pode realizar tal leitura no
momento da prova. Portanto acreditar que é possível escolher previamente o
tipo de texto que desenvolverá no vestibular (ainda que aconselhado por seu
professor de redação) é abrir mão de um direito de escolha pessoal e
intransferível e, em última análise, isso pode significar até mesmo uma ameaça
a suas chances reais de sucesso na redação.

 

Dissertação

Característica do texto dissertativo

         Quando se
pede a alguém que disserte por escrito sobre um determinado tema, espera-se um
texto em que sejam expostos e analisados, de forma coerente, alguns dos aspectos
e argumnetos envolvidos na questão tematizada. Não há escrita sem leitura,
sem reflexão, sem a adoção de um ponto de vista e, pode-se mesmo dizer, sem
um desejo, por parte de quem escreve, de se manifestar a respeito de um
determinado tema. Assim, é especialmente importante que, em uma dissertação,
sejam apresentados e discutidos fatos, dados e pontos de vista acerca da questão
proposta. Ora, para que você consiga desincumbir-se dessa tarefa de forma
adequada (especialmente em uma situação como a de um exame vestibular em que há
uma certa tensão, o tempo é controlado…), a Unicamp coloca à sua disposição,
sob a forma de uma coletânea, diversos elementos que devem ser levados
em conta para a discussão do tema proposto. Garantimos, assim, que você não
tenha de “partir da  estaca zero”, para construir sua redação. Essa
é uma função importante da coletânea de textos que acompanha o tema para
dissertação. (Essa coletânea, como vimos no capítulo anterior, tem também o
objetivo de avaliar a sua capacidade de leitura, interpretação e seleção de
informações).

         Do que foi
dito acima, você deveria concluir imediatamente que escrever um texto
dissertativo não é apenas tecer comentários  impessoais sobre
determinado assunto, tampouco limitar-se a apresentar aspectos favoráveis e
contrários e/ou positivos e negativos da questão.

         Mas vamos
tentar ajudá-lo um pouco mais, uma vez que tal conclusão pode não ser tão
imediata assim. Consideremos duas instruções que muito freqüentemente
acompanham “definições” de dissertação: (1) que nela não se deve
“falar” em 1ª pessoa; (2) que devem, em um texto dissertativo, ser
apresentados argumentos favoráveis e contrários à(s) idéia(s) sobre a(s)
qual(is) se está escrevendo.

         A primeira
das “instruções” é, de fato, pertinente, mas costuma-se exagerar o seu
valor – esse cuidado não é suficiente para garantir que se está, realmente,
dissertando. Sempre será verdade que enfraquecem a força do texto dissertativo
expressões como eu acho que e na minha opinião, mas o problema está
muito mais no caráter opinativo e no “achismo” nelas contido do que no uso
da 1ª pessoa do singular. Contudo, saiba que a postura mais adequada para se
dissertar é mesmo escrever impessoalmente, como se autor daquele texto fosse o
próprio bom senso, a própria lógica, a razão, ou ainda, a verdade.
Da mesma forma, uma dissertação não se dirige a um interlocutor específico
ou a um grupo deles; dirige-se, isto sim, a um “leitor universal”, algo que
poderia ser definido como: todos os seres humanos alfabetizados e dotados de
raciocínio.

         Quanto à
Segunda “instrução”, essa sim é um completo equívoco. Em uma dissertação,
deve-se defender uma tese, ou seja: organizar dados, fatos, idéias, enfim, argumentos,
em torno de um ponto de vista definido sobre o assunto em questão. Uma dissertação
deve, na medida do possível, concluir algo. Portanto, não tem cabimento ficar
simplesmente elencando argumentos favoráveis ou contrários a determinada idéia.
Só se trazem ao texto argumentos contrários à tese defendida para destruí-los,
para anulá-los… e, mesmo isso, quando for pertinente fazê-lo.
 
 

    2.2.   Narrativa
 

       Quando eu era
jovem, desprezava-se o elemento narrativo, chamando-o de “histórinha”
e esquecendo-se que a poesia começou como narrativa; nas raízes da
poesia está a épica, e a épica é o gênero poético primordial – e
narrativo. Na épica encontra-se o tempo; ela tem um antes, um durante e
um depois. 
 

(Jorge Luis Borges) 

 
 
    2.2.1  Características do texto
narrativo

 

        Quando se solicita
uma narrativa em um contexto de exame vestibular, espera-se uma redação em que
apareçam de forma articulada os elementos constitutivos desse tipo de texto.
Isso porque construir um texto narrativo, como dissemos no capítulo II, não é
meramente relatar um acontecimento ou, em outras palavras, não é apenas
encarar fatos, produzindo uma história. Você já sabe que sua tarefa não será
somente a de construir uma narrativa , mas de fazê-lo para atender à solicitação
de um exame vestibular como o da Unicamp, em que habilidades específicas –
tais como capacidade para selecionar e interpretar dados e fatos, de estabelecer
relações e elaborar hipóteses – estarão sendo avaliadas. Sendo assim, ao
ocupar-se da caracterização dos elementos constitutivos desse tipo de texto,
você terá de levar em conta algumas exigências/informações da banca que
determinam em parte esses elementos e que já são fornecidas na apresentação
da proposta. Em suma, a proposta da Unicamp não é somente um estímulo para a
criação de um texto narrativo; ela é, isto sim constituída por um conjunto
de exigências/informação que devem ser articuladas às caracterizações e
desenvolvimentos que o candidato pretende das às categorias do texto narrativo
na hora de produzir sua redação. É exatamente pelo fato de que a proposta
delimita espaços autorizados para a criação ficcional que os textos
narrativos podem ser avaliados segundo critérios objetivos como se faz no
Vestibular da Unicamp. A esta altura você ainda sabe de que categorias
narrativas nós estamos falando? Claro que sabe, mas sempre é bom recordar:
narrador, personagem, enredo, cenário e tempo. Agora o importante é você
refletir um pouco sobre o que significa caracterizar e desenvolver essas
categorias narrativas. Vamos tentar ajudá-lo nesta tarefa.

        Comecemos pelo narrador.
A afirmação mais óbvia que se pode fazer a respeito desta categoria é a de
que toda história precisa ser contada por “alguém”; esse “alguém” que
conta a história em um texto narrativo é chamado de narrador. Ao se
dizer que é o narrador quem conta a história em um texto narrativo, se está
dizendo que é através dele que tomamos conhecimento do enredo, das características
das personagens, da descrição dos cenários etc. Da mesma forma é igualmente
importante atentar para as decorrências da escolha de um narrador. Quer ele
seja fixado previamente pela proposta da banca, quer ele seja escolhido por você,
há que se tomar muito cuidado com as conseqüências dessa determinação. Por
exemplo, o grau de consciência que esse narrador pode ter das características
(no caso, de personagens ou de cenário), ações, motivações etc., envolvidas
na trama. Como você já sabe, esse grau de consciência depende muito de qual
dos dois tipos de foco narrativo for adotado: narrador em 1ª ou 3ª pessoa. Se
for em 3ª, ele pode saber tudo, se for em 1ª, depende da sua atuação dentro
do enredo.

        Sobre as personagens,
é muito importante pensar no que significa caracterizá-las, de fato. Você
certamente já imaginou fisicamente algumas delas (altura, cor dos cabelos, dos
olhos, etc.), mas uma boa caraterização de personagens não pode levar em
consideração apenas aspectos físicos. Elas têm de ser pensadas como
representações de pessoas, e por isso sua caraterização é bem mais
complexa, devendo levar em conta também aspectos psicológicos de tipos
humanos. E isso, por sua vez, deverá estar sempre presente na sua cabeça
quando você for trabalhar as ações das personagens dentro da trama que está
criando. Ou seja, como acontece com as pessoas, o comportamento delas é em
grande parte determinado por tais características psicológicas.

        A presença
obrigatória de elementos de cenário dentro de um texto narrativo não
tem função de testar a capacidade do candidato de produzir trechos
descritivos, descritivizados, ou sabe-se lá quais outras preciosidades de
nomenclatura criadas a esse respeito. Na verdade, os cenários em uma narrativa
devem ter uma função determinada no texto, ou seja, devem manter com a trama
uma relação significativa. Explicando: o cenário não é apenas um palco onde
as ações se desenrolam, mas deve integrar-se aos demais elementos da
narrativa, por exemplo ao sustentar a presença de personagens, ao motivar ações
específicas, ao fornecer indícios (pistas) sobre determinados acontecimentos
etc.

        Assim como as
personagens representam pessoas e os cenários, espaços físicos (naturais,
ambientais, geográficos etc.), o tempo numa narrativa representa, justamente…
o tempo. Óbvio? Deveria ser, mas grande parte dos problemas de
verossimilhança dentro de textos narrativos são derivados da maneira como freqüentemente
se lida com essa categoria, tempo. É muito comum, nas redações de
vestibular ou não, o autor perder de vista o fato de que ele deveria estar,
ficcionalmente, representando o transcurso de existência, de ações possíveis,
no tempo. E ações e existências “consomem” tempo, na vida real. Portanto,
por que não o fariam também no espaço ficcional? A orientação aqui, para se
dar uma, é bastante simples: atenção para a maneira como os fatos,
acontecimentos e ações das personagens se articulam no plano temporal, ou, em
termos mais simples, atenção para o fato de que acontecimentos e ações têm,
necessariamente, uma duração.

        Pulamos o enredo?
Na verdade, não. Apenas deixamos para comentá-lo no final – e de passagem
–,  por um lado porque é dele que você certamente tem a idéia mais bem
formada (o enredo é a própria história); por outro, porque ele
simplesmente não existe sem a caraterização e o desenvolvimento dos outros
quatro elementos: o enredo é resultado da atuação das personagens em
determinados cenários, durante certos períodos de tempo, tudo
isso contado, para o leitor, por um narrador.
 
 

    2.3.   Texto Argumentativo
/Persuasivo 

    2.3.1  Características do texto
argumentativo/persuasivo

        Além de uma
dissertação, a prova de Redação do Vestibular Unicamp propõe também uma
carta argumentativa. O que diferencia a proposta da carta argumentativa da
proposta de dissertação é o tipo de argumentação que caracteriza cada um
desses tipos de texto. Como se viu na seção 2.1.1., o texto dissertativo é
dirigido a um interlocutor genérico, universal. Por outro lado, a 
proposta de carta argumentativa pressupõe um interlocutor específico para quem
a argumentação deverá estar orientada. Essa diferença de interlocutores deve
necessariamente levar a uma organização argumentativa diferente, nos dois
casos. Até porque, na carta argumentativa, a intenção é freqüentemente a de
persuadir um interlocutor específico (convencê-lo do ponto de vista defendido
por quem escreve a carta ou demovê-lo do ponto de vista por ele defendido e que
o autor da carta considera equivocado).

        É importante
justificar por que se solicita que a argumentação seja feita em forma de
carta. Acredite, essa é uma opção estratégica feita em seu próprio benefício.
O pressuposto é o de que, se é definido previamente quem é seu interlocutor
sobre um determinado assunto, você tem melhores condições de fundamentar sua
argumentação.

        Vamos tentar
exemplificar, mais ou menos concretamente, algumas situações argumentativas
diferentes, para que fique claro que tipo de fundamento está por trás desta
proposta da Unicamp. Imagine-se um defensor ardoroso da legalização do aborto.
Perceba que sua estratégia argumentativa seria necessariamente diferente se
fosse solicitado a :

  •  escrever uma dissertação sobre o assunto, portanto, escrever para
    o nosso “leitor universal”;

  •  escrever ao Papa, para demonstrar  a necessidade de a Igreja
    Católica, em alguns casos, rever sua postura frente ao aborto;

  •  escrever a um congressista procurando persuadi-lo a apresentar um
    anteprojeto para a legalização do aborto no Brasil;

  •  escrever ao Roberto Carlos procurando persuadi-lo a incluir, em seu
    LP de final de ano, uma música em favor da descriminação do aborto.

        Você não
concorda conosco? Não fica mais fácil decidir que argumentos utilizar
conhecendo o interlocutor? É por isso que é tão importante que você, durante
a elaboração do seu projeto de texto, procure representar da melhor maneira
possível o seu interlocutor, uma vez conhecido. Aliás, nós já dissemos isso
na seção 4.1.3 do capítulo 2.

        Embora o foco
desta proposta seja um determinado tipo de argumentação, o fato de que o
contexto criado para este exercício é o de uma carta implica também algumas
expectativas quanto à forma do seu texto. Por exemplo, é necessário
estabelecer e manter a interlocução, usar uma linguagem compatível com o
interlocutor (por exemplo, não se dirigir ao Papa com um jovial E aí,
Santidade, tudo em cima?
, muito menos despedir-se de tão beatífica figura
com Pô, cara, tu é do mal!). Mas que fique bem claro: no cumprimento da
proposta em que é exigida uma carta argumentativa, não basta dar ao texto a
organização de uma carta, mesmo que a interlocução seja natural e
coerentemente mantida; é necessário argumentar.

Veja também: