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A Lição das Coisas – Carlos Drummond de Andrade

A Lição das Coisas – Carlos Drummond de Andrade

Em Confissões de Minas diz Drummond :

”À medida que envelheço, vou me desfazendo dos adjetivos. Chego a ver que tudo se pode dizer sem eles, melhor que que com eles.
Por que “noite gélida”.”noite solitária”, “profunda noite” Basta “a noite” a solidão , a profundidade da noite estão latentes no leitor , prestes a envolvê-lo, à simples provocação dessa palavra “noite”.

A opção concreto –formalista que o poeta realiza em Lição das Coisas é uma radicalização dos processos estruturais que sempre mancaram seu modo de escrever.

Desde o primeiro livro, a opção pelo prosaico, pelo irônico, pelo anti-retórico, pelo antilirismo intencional, predispunham, pela recusa e pela contenção, ao poema-objeto,típico da geração de 1960.

O processo básico é a linguagem nominal – (“ fazer as coisas e as palavras – nomes de coisas – bolar nesse vácuo sem bordas a que a interrogação, reduziu os reinos do ser” ), através da desintegração da palavra. Drummond, contudo, não aderiu a qualquer receita poética das vanguardas do “Concretismo”, “Poema-Processo”, “Poesia-Práxis”, etc…

A ruptura com a sintaxe, a rima final ou interna a assonância, a aliteração e o eco , a repetição compulsória do som-coisa, aproximam Drummond das operações técnicas das vanguardas de 1950–60.

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