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A Montanha Mágica – Thomas Mann

A Montanha Mágica – Thomas Mann

                Em Davos estava internada a mulher de Thomas Mann, Kátia, tratando uma tuberculose recém-diagnosticada. 

                O escritor passou com ela quatro semanas em maio-junho de 1912 no Sanatório da Floresta, cerca de 2 mil metros de altura. 

                A Europa também estava febril, numa antecipação da Grande Guerra que começaria dois anos depois. Thomas teve uma febre por alguns dias, logo diagnosticada pelo médico do sanatório (de olho num novo paciente) como inflamação dos tubérculos pulmonares. 

                Outros médicos ridicularizaram o parecer. Thomas não tinha coisa alguma, Katia curou-se dois anos e alguns sanatórios depois. A doença da mulher, o equívoco que confundiu a vida com morte e aquele soberbo cenário nos píncaros do mundo acionaram o enredo para A Montanha Mágica, publicado em 1924, Nobel da Literatura em 1929.

                Hans Castorp, o protagonista, converteu-se em paradigma daqueles tempos confusos. 

                O jovem engenheiro naval vai visitar um primo internado em Davos, acaba contagiado pela tísica e lá passa sete anos, perambulando entre a saúde e a enfermidade, paixões e enterros, febre e lassidão, tropeçando entre o romantismo idealista, o niilismo e o anarquismo revolucionário. 

                Curado, acaba alistando-se para lutar na guerra. Não está obsoleto, continua sendo o protótipo da perplexidade, ingenuidade e perturbação.

                Thomas Mann queria pintar um painel satírico da burguesia européia naquele fim de época. 

                A mão pesada daquele alemão do Norte acabou produzindo um esgar sarcástico – pontual e atemporal. 

                Diz ele no preâmbulo: ‘…acontece porém com a história o que hoje em dia também acontece com os homens, e entre eles, não em último lugar, com os narra

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