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A Orgia dos Duendes – Bernardo Guimarães

A Orgia dos Duendes – Bernardo Guimarães

Nota Informativa

Este poema de Bernardo Guimarães surgiu publicado na coletânea intitulada Poesias, cuja primeira edição é de 1865.

Como se pode perceber, trata-se da descrição de um sabbat muito pouco ortodoxo, por se constituir numa paródia bem ao gosto dos modernos, o que permite entender o poeta como um precursor, pelo menos sob este aspecto.

Os versos, com métrica de nove sílabas, já bem anunciam a ruptura proposta pelo autor e fazem com que a metáfora estrutural que percorre o texto seja levada ao limite da eficiência no seu propósito de diluir a subjetividade e o sentimentalismo tipicamente românticos.

Ao longo do texto, o poeta reproduz uma cerimônia clássica de uma festa do sabbat, só que nos trópicos americanos, o que vale dizer: com a utilização de um indianismo gonçalvino ironizado e parodiado.

Na estrofe final, como que levando ao paroxismo sua intenção jocosa, a donzela romântica atravessa a natureza sem se dar conta do que ali se passou.

Na música, o compositor russo Mussorgsky fez uso do mesmo recurso descritivo que nosso autor – aqui pioneiramente – retoma, mas como um mal do século desconstruído.

Este poema despretensioso em sua aparente simplicidade é um exemplo de criatividade e imaginação de nosso romantismo multiforme.

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