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Capitão Rodrigo – Érico Veríssimo

Capitão Rodrigo – Érico Veríssimo

Aqui está um dos capitães mais famosos neste País e por aí a fora.

É a personagem gaúcha de maior presença no romance brasileiro; é uma das mais altas de toda a ficção nacional; ou ainda: Rodrigo Cambará se perfila entre as perfeitas criaturas da novelística moderna.

Tem vida como vivente legítimo, vida livre e tumultuada, cheia de atos e cheia de símbolos.

Milhares de leitores o confundem – pelos gestos amplos, a voz ora brincalhona e ora terrível e mandante, as gargalhadas de boêmio e a seriedade de revoltado, a coragem, os devaneios, o olhar permanente na obsessiva luz da liberdade – confundem-no com a própria terra riograndense.

Muitos ainda choraram e ainda chorarão a sua morte, acontecida “no momento em que a maturidade chega e o vigor físico e a alegria de viver continuam a habitar seu corpo…”, mas acontecida porque “ele mesmo vive a dizer que Cambará macho não morre na cama”.

Há os que o odeiam, pois “um homem que ama a liberdade e luta por ela é sempre uma figura que os tiranos detestam e temem.”

Há os xarás às centenas (“uma epidemia onomástica”) a lhe lembrarem a existência e sempre haverá, espalhados pelo mundo, muitos homens que se alegrariam em perseguir os mesmos ideais.

Quis a Editora Globo lançar em separado essa estória já tornada mitológica do Capitão, deslocando-a das setecentas páginas de O Continente e do verdadeiro maciço de duas mil e quatrocentas páginas que formam O Tempo e o Vento.

Consultado sobre o projeto, Érico Veríssimo mostrou-se indeciso, sempre ciosos da integridade física de sua grande obra; mas acabou concordando, por levar em conta exatamente essa noção de que Um Certo Capitão Rodrigo constitui algo completo em si mesmo.

Lembrou-se de que, em 1966, discutindo com estudantes de Toulouse, na classe do Prof. Jean Roche, dissera ser O Continente “uma espécie de feixe de novelas independentes, por assim dizer amarradas pelo episódio intitulado O Sobrado”.

Outras estórias tão inteiras como a do Capitão poderiam ser ainda extraídas do opulento filão, sem prejuízo (bem ao contrário) de nada e de ninguém.

Sabem todos o que significa O Tempo e o Vento. Traduzida para várias línguas cultas, é obra que já se perenizou.

“Um livro que durará e nos fará durar” disse Oswaldo Aranha. “Grande livro…um dos mais significativos que tem aparecido na literatura brasileira”, saudou Gilberto Freire.

São opiniões entre muitas. E ainda há, espontânea, a opinião constante dos leitores, fascinados por figuras sólidas como Ana Terra, Bibiana, os Amarais, dezenas de outras, e principalmente por esse desejado parente e amigo de cada um, o altivo Capitão das arábias que, numa tarde ensolarada de outubro, chegava a Santa Fé ninguém sabia de onde e que lá morria, anos depois, sabendo todos o que e o quanto significava.

A imensa simpatia popular teria mesmo de influir na decisão de Érico Veríssimo em permitir ao Capitão andar sozinho em livro especial, vivendo suas aventuras fora da massa de gente e espaço contida nos 150 anos que são o fundo espesso de O Tempo e o Vento.

Autor e Editora são sensíveis a esse gosto do grande público e a presente edição de Um Certo Capitão Rodrigo representa, no final de contas, uma expressão de agradecimento.

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