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Claro Enigma – Carlos Drummond de Andrade

Claro Enigma – Carlos Drummond de Andrade

Em Claro Enígma a proposta de Drummond parece ser a de escavar o real mediante um processo de interrogações e negações que a caba revelando o vazio à espreita do homem.

O Mundo define-se como “um vácuo atormentado” (existencialismo nihilista )”. A abolição de toda crença e o apagar-se de toda esperança trazem consigo o auto-fechamento do espírito.

Essa negatividade, a abolição de toda a crença, o apagar-se de toda a esperança traduzem-se pela expressão da dor, do vazio, da angústia, da consciência da queda que aprisiona todo ser vivo.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor à noite rompe,
Sempre dentro de mim meu inimigo.
É sempre no meu sempre a mesma ausência..
(O Enterrado Vivo)

Então desanimamos . Adeus , tudo
A mala pronta, o corpo desprendido,
resta a alegria de estar só e mudo.

De que se formam nossos poemas? Onde?
Que sonho envenenado lhes responde,
se o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens?

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