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Eusébio Macário – Camilo Castelo Branco

Eusébio Macário – Camilo Castelo Branco

Eusébio Macário é o primeiro dos «romances facetos» de Camilo. É bastante importante na bibliografia camiliana porque marca uma ruptura com o tradicionalismo do autor.

Nos «romances facetos», não há uma obsessão pela redenção do pecado; pelo contrário, as personagens corrompem moralmente os costumes, sem remorsos.

É com este gênero de romances que se denota o pendor realista de Camilo. Alexandre Cabral refere que «houve até quem o apontasse como o único escritor português genuinamente realista.»

Mas o motivo era outro: os «romances facetos» apareceram como uma forma do autor combater as idéias da nova época literária que se adivinhava, bem como os defensores desta. Apesar de terem atingido, nesta área, o desejado, «os “romances facetos” balizam em concreto a fase de declínio de C.C.B. como romancista.»

De referir, ainda, que o romance é dedicado à < amante querida de Camilo, como se verifica pela dedicatória: «Minha querida amiga./ Perguntaste-me se um velho escritor de antigas novelas poderia escrever, segundo os processos novos, um romance com todos os "tiques" do estilo realista.

Respondi temerariamente que sim e tu apostaste que não. Venho depositar no teu regaço o romance, e na tua mão o beijo da aposta que perdi.»

Ana Augusta Plácido é a «amante querida» de Camilo, a sua mulher fatal, a quem este atribui o criptônimo de Raquel.

Nasceu em 1831 e, apenas com dezenove anos de idade, consorciou-se com o capitalista Manuel Pinheiro Alves, de quarenta e três anos.

Filha de António José Plácido Braga e de Ana Augusta Vieira, em 1856, enamorou-se de Camilo Castelo Branco. Uma paixão que lhe trouxe problemas a tal ponto que o marido enganado a colocou no Convento da Conceição, de Braga.

Consta-se que Manuel Plácido, filho de Ana e – legalmente – do capitalista, tenha Camilo como progenitor. Manuel Plácido nasceu em 1858, altura em que Ana Plácido afirmava ao marido amar Camilo e ser este o único homem capaz de fazê-la feliz.

Desesperado com a insistência de Ana em permanecer na companhia do amante, Pinheiro Alves instaurou um processo de adultério em 1860.

Como resultado, Ana foi presa a 6 de Junho na Cadeia da Relação do Porto, entregando-se o amante a 1 de Outubro.

A absolvição dos réus data de 16 de Outubro de 1861. O casal instala-se em Lisboa, mas separa-se por razões financeiras.

Em 1863 estão juntos de novo, nascendo o filho de ambos Jorge Camilo Castelo Branco.

Com a morte de Manuel Pinheiro Alves é Ana quem administra a fortuna que o seu filho Manuel herdou do pai legal.

Assim, a família muda-se, primeiro, para o Porto; depois, para a quinta de São Miguel de Ceide, pertença do falecido, onde nasce o último filho do casal, Nuno Plácido Castelo Branco.

Na relação de Camilo e Ana foi esta a que se empenhou mais. Ana Plácido dedicou-se à literatura, influenciada por Camilo.

Colaborou em diversas publicações, fez traduções, ajudou Camilo em alguns textos e dedicou-se, também, à poesia.

No decurso da sua carreira literária assinou algumas vezes com pseudônimos. Ana ainda assistiu à morte de Camilo, morrendo depois em 1895.

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