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O Avarento – Molière

O Avarento – Molière

Peça teatral de 1668 que tem como tema a usura. Tema atual nos dias de hoje, em que populações inteiras sofrem com altos juros bancários, com grandes concentrações de renda e outras mazelas do capitalismo.

Certamente Molière não pensou que sua peça fosse tão atual, século depois. Mas o fato é que cai como uma luva nos dias atuais.

Ciclicamente as civilizações fazem suas adorações ao Bezerro de Ouro. A única coisa que conta é ter, possuir, acumular. E a única coisa que falta é justamente o dinheiro, que está acumulado.

Numa realidade assim, as possibilidades afetivas ficam muito transtornadas.

Na época em que o texto foi escrito não existia pecado mais grave do que a usura. A Igreja Católica chegava a condenar a cobrança de juros.

A peça é das mais representativas do autor que era filho do tapeceiro do rei e agradava tanto à corte dos Luíses como à população. Educado num colégio de jesuítas, Molière abandona os estudos de Direito, iniciados havia pouco, para se dedicar ao teatro, chegando a fundar uma companhia, sem grande sucesso.

E esta é a história de um usurário que trata sua família como a extensão de seus negócios. Para ele, o mais importante e crucial na vida são seus tostões.

Numa crise de seu poder patriarcal, decide casar o filho com uma viúva rica e a filha com um homem igualmente rico, embora ela esteja apaixonada por um rapaz, a princípio pobretão.

Até a hora da morte, por hemoptise, ao representar uma das suas peças, será incessante e exemplar a atividade de Molière como homem de teatro, em seus vários níveis, como autor, diretor e ator de talento, interpretando ele próprio muitas das figuras por ele criadas.

A par de uma notável veia cômica, em que o riso do espectador acaba por ser como que uma censura à personagem que o provoca, sua produção, que excede trinta peças, revela um psicólogo apurado e um escritor que sabe escolher para cada uma das suas personagens a linguagem mais própria ao seu caráter.

Sua obra vai da comédia de costumes e da comédia galante à comédia pura.

Toda a obra do autor, que recorre a temas comuns e dispensa pormenores realistas, é repassada de humanidade, como foi a sua própria vida, segundo o testemunho dos contemporâneos deste homem que tão genialmente combateu e criticou, ridicularizando-as, as fraquezas da gente do seu tempo.

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