Menu fechado

O Dicionário – Machado de Assis

O Dicionário – Machado de Assis

(Páginas recolhidas)

“Era uma vez um tanoeiro, demagogo, chamado Bernardino, o qual em cosmografia professava a opinião de que este mundo é um imenso tonel de marmelada, e em política pedia o trono para a multidão.”

O conto é bem curto e bem atual.

Bernardino, fabricante de tonéis, concita a multidão, depõe o rei, e sentando-se, simbolicamente, no trono declara: “Eu sou vós, vós sois eu”

Acalma a oposição com indenizações e títulos honoríficos. Adota um nome pomposo no lugar do Bernardino. Encomenda uma genealogia condizente com nova posição.

Baixa decretos para igualar o visual da multidão naquilo que poderia constranger ou diminuir o seu rei e, ao mesmo tempo, para ensejar aos seus súditos que se parecessem com ele.

Nomeia dois ministros, Alfa e Omega que,como os nomes indicam, dominavam as letras e logo descobrem nele uma vocação poética.

Como todo rei deve se casar ele escolheu a bela Estrelada, com muitas qualidades e que “mostrava-se fiel á dinastia decaída”.

Estrelada que já tinha o seu amado impõe um torneio democrático de madrigais em que o vencedor seria o escolhido.

Aconselhado pelos ministros, o rei anula os torneios e modifica as regras varias vezes e, por último, manda recolher todos os dicionários e os substitui por um vocabulário novo que, então, lhe daria a vitória.

Veja também: