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O Estranho Misterioso – Mark Twain

O Estranho Misterioso – Mark Twain

À primeira vista pode parecer mais uma estória de aventuras, como as de Tom Sawyer e Huckleberry Finn.

Mas as diferenças entre “O estranho misterioso” e as duas obras mais famosas de Mark Twain vão além das que possam existir entre o Mississipi e a aldeia medieval perdida na Áustria que é cenário de “O estranho misterioso”.

O enredo é até simples de ser resumido: três meninos que viviam na perdida aldeia de Eseldorf (“Aldeia do Burro”) encontram um rapaz forasteiro, que se diz anjo e se chamar Satã.

Com seus poderes fantásticos e sua visão nada gloriosa da raça humana, Satã passa a interferir de maneira irreversível na vida dos meninos e dos demais habitantes da aldeia, desafiando a ordem estabelecida e subvertendo suas superstições religiosas.

Partindo daí, Twain revela não o humor que sempre o caracterizou, mas uma fina ironia frente à pequenez humana.

Se Satã choca os meninos com seus conceitos sobre a fraqueza e a insignificância humanas – em contraponto ao “senso moral” pregado pelos padres da aldeia – as ações de cada personagem só servem para corroborar a tese do anjo.

Ao escrever sobre a natureza do ser humano Mark Twain nos oferece uma obra madura, em que a leitura fácil não significa superficialidade.

É ao abordar com aparente simplicidade e verdadeira profundidade tema tão complexo que Twain nos dá uma boa mostra de seu talento.

Com uma bela tradução de Merle Scoss, pelo tema o livro se faz inquietante e perturbador, mas por sua forma acaba divertindo.

Aliás, segundo o anjo Satã, a grande arma que resta ao ser humano é o humor.
Lancemos, pois, mão dele e transformemos em inteligente sátira o pessimismo que o velho Twain lança em sua obra.

Mark Twain escreveu O estranho misterioso no fim da vida, quando já estava amargurado e solitário, e a obra só foi publicada em 1916, depois de sua morte (em 1910).

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