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O Inglês Maquinista – Luís Carlos Martins Pena

O Inglês Maquinista – Luís Carlos Martins Pena

A peça em questão é de ato único e se passa no ano de 1842 no Rio de Janeiro.

A trama, conforme a síntese do prof. Marlon Almeida, gira em torno de Clemência e Mariquinha (respectivamente mãe e filha) e dos pretendentes da filha: um negociante de escravos (Negreiro), um especulador de inventos inúteis – como a máquina que transforma boi em carne e sapato…- (o inglês Gainer) e o primo de Mariquinha ( o também pretendente Felício).

Na cena inicial está Negreiro a considerar a necessidade de se contar com juízes de “bom senso” na hora de negociar a entrada ilegal de navios negreiros no país; para Negreiro, o juiz em agindo com honestidade “fica na conta de pobre”. Seus interlocutores são Felício e Clemência:

Negreiro – (…) e os negrinhos vão para um depósito, a fim de serem depois distribuídos por aqueles de quem mais se depende. Ou que têm maiores empenhos.

Felício – Tem razão! (passeia pela sala)

Negreiro, para Clemência – Daqui a alguns anos mais falará de outro modo.

Na cena seguinte, a conversa é entre Felício e Mariquinha:

Felício – Ouviste, prima, como pensa este homem com quem tua mãe pretende casar-te?

Mariquinha – Casar-me com ele? Oh, não, morrerei antes!

Felício – No entanto é um casamento vantajoso. Ele é imensamente rico… atropelando as leis, é verdade; mas que importa? Quando fores sua mulher…

Mariquinha – E é você quem me diz isso? Quem me faz essa injustiça? Assim são os homens, sempre ingratos!

Felício – Meu amor, perdoa. O temor de perder-te faz-me injusto. Bem sabes quanto eu ter adoro; mas és rica, e eu um pobre empregado público; e tua mãe jamais consentirá no nosso casamento, pois supõe fazer-te feliz dando-te um marido rico.

Felício, para afastar os dois pretendentes, promove uma intriga entre eles – como na cena VII.

Felício – Estou admirado! Excelente idéia! Bela e admirável máquina (…) Deve dar muito interesse.

Gainer – Muita interesse o fabricante. Quando este máquina tiver acabada, não precisa mais de cozinheiro, de sapateira e de outras muitas ofícias.

Felício – Então esta máquina supre todos estes ofícios?

Gainer – Oh, sim! Eu bota a máquina aqui no meio da sala, manda vir um boi, bota a boi na buraco da maquine e depois de meia hora sai por outra banda da maquine tudo já feita.

Felício – Mas explique-me bem isso.

Gainer – Olha. A carne do boi sai feita em beef, em roast-beef e outras muitas; do couro sai sapatas, botas,…(…)

Felício – Que prodígio! Estou maravilhado! Quando pretende fazer trabalhar a máquina?

Gainer – Conforme; falta ainda alguma dinheira. Eu queria fazer uma empréstima. Se o senhor quer fazer seu capital render cinqüenta por cento dá a mim para acabar a maquine, que trabalha depois por nossa conta.

Felício, à parte – Assim eu era tolo…(Para Gainer): Não saiba quanto sinto não ter dinheiro disponível. Que bela ocasião de triplicar, quadriplicar, digo centuplicar o meu capital em pouco!

Gainer, à parte – Destes tolas eu quero muito.

Felício – Mas veja como os homens são maus. Chamarem ao Senhor, que é o homem mais filantrópico e desinteressado e amicíssimo do Brasil, especulador de dinheiros alheios e outros nomes mais.

Em seguida, Felício atribui a Negreiro a infâmia…despertando a ira de Gainer; mais adiante, segreda a Negreiro que Gainer o estaria difamando: os dois, quando se encontram, brigam em plena casa de Clemência, que descobre, em uma conversa com Negreiro, o interesse de Gainer não por ela, mas por sua filha… a partir daí, Negreiro considera a possibilidade de casar-se com Clemência, supostamente viúva de um marido, 

Alberto, que reaparece, depois de dois anos, na CENA XX, onde explica ter escapado da guerra. 

Na CENA XXV, escondido, surpreende a própria esposa pedindo Gainer em casamento. 

Segue-se então, uma briga generalizada entre Gainer e Clemência contra Alberto e Negreiro; Gainer foge, Alberto acaba perdoando a mulher, por influência de seu sobrinho, Felício, a quem promete a mão de sua filha, Mariquinha. Negreiro sobra…

A peça acaba com a festa dos Reis na casa de Alberto.

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