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Paródia da Carta de Caminha – Oswald de Andrade

Paródia da Carta de Caminha – Oswald de Andrade

Pero Vaz de Caminha

a descoberta

Seguimos nosso caminho por
este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra

os selvagens

Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados

as meninas da gare

Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos peles espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha

Oswald recria, poeticamente, a Carta de Caminha a D. Manuel.
Veja em As meninas de Gare a justaposição do histórico ao moderno as indígenas a que Pero Vaz se refere são vistas como as meninas da gare (gare, palavra francesa que significa estação de estrada de ferro).

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