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Poemas Humorísticos e Irônicos de Cruz e Sousa – Cruz e Sousa

Poemas Humorísticos e Irônicos de Cruz e Sousa – Cruz e Sousa

Nota Informativa

João da Cruz e Sousa tem uma trajetória de contrastes radicais. Embora sua poesia tenha recebido ácidas críticas parnasianas e realistas, superou a todas elas.

Sua vida foi marcada pelos preconceitos de cor e de classe, inclusive advindos de alguns literatos, mas privou de amizades diuturnas e sinceras.

Sofreu grandes dificuldades materiais e a tuberculose o matou, vicissitudes, no entanto, que não foram capazes de impor limites para sua obra.

Desde jovem suas qualidades foram reconhecidas, primeiro pelo círculo mais restrito de companheiros e, com o tempo, pelo mundo literário de modo geral.

Seu trabalho recebeu acolhida na imprensa e foi apresentado em livros individuais ou coletivos. Publicado em Paris, capital cultural do mundo na entrada do século XX, teve os méritos reconhecidos pelos poetas franceses.

A arte de Cruz e Sousa está espalhada por espaços até hoje não estabelecidos por completo, embora seu espólio tenha contado sempre com fiéis depositários e sua obra seja objeto de pesquisas e estudos constantes.

Ainda hoje surgem textos cujo estilo e dicção permite que sejam atribuídos a sua lavra, mesmo quando não assinados.

No acervo da Fundação Biblioteca Nacional, por exemplo, existem manuscritos exarados em manifestações espiritualistas cujo valor ainda não foi dimensionado de modo conclusivo.

Seria como se a sua produção fosse fisicamente interminável. Justamente para atender ao pressuposto indicado, entre as obras colecionadas nesta biblioteca virtual, existe uma antologia que intitulamos A poesia interminável de Cruz e Sousa.

Apesar de nosso empenho em reunir ali os trabalhos do poeta descobertos mais recentemente, alguns deles não foram inseridos naquele conjunto e serão apresentados agora.

Esta nova antologia reúne os poemas que trazem em sua composição um certo humor e uma boa dose de ironia, categorias literárias distintas, embora próximas.

Humor que brinca com palavras e alivia as tensões que acompanham o labor poético, como nos casos em que champagne rima com “gatos arranhe” ou naqueles outros em que “nunca se cala o sr. Callado”.

Ironia reconhecida, desde os românticos, como categoria transida de significados que circulam nos espaços do recalque e da censura e, portanto, quando expressos, causarão estranhamento e emoção.

No uso dado por Cruz e Sousa, ela serve para denunciar os vícios e a maldade humanos, exemplificados respectivamente em “um certo inglês patife, glutão, que se esparrama como bife”, e nas denúncias da escravidão.

Nesta edição, estão reunidos diferentes métricas e andamentos. O critério ortográfico básico utilizado foi o da norma culta atual.

As dúvidas quanto à grafia e acentuação foram resolvidas através do cotejo entre diferentes edições, dicionários e gramáticas, sempre atendendo ao que nos pareceu o interesse poético e a intenção do autor.

Os versos foram iniciados sistematicamente por maiúsculas, mesmo quando originais consultados referem minúsculas: a decisão foi tomada acompanhando os editores mais recentes, embora as versões de 45 e do centenário do poeta utilizem variações para a questão.

Ainda seguindo as convenções, os poemas apresentados originalmente sem título estão sendo nomeados pelo primeiro verso de cada um entre colchetes.

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