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Soneto de Fidelidade – Vinícius de Morais

Em 1938, Vinícius de Morais publica o livro Novos Poemas marcando uma ruptura com o estilo poético que adotara até então — marcado pelo misticismo, transcendentalismo e forte sentimento católico.

A partir de Novos Poemas passa a priorizar a poesia do cotidiano e da vida mundana.

São dessa fase alguns de seus poemas mais célebres, como Soneto da Separação, Soneto de Fidelidade e Soneto do Maior Amor.

Seu grande tema é o amor.
O amor em suas múltiplas manifestações: saudade, carência, desejo, paixão, espanto.

Registra uma nova concepção sentimental, mais concreta, mais livre de preconceitos, mais atenta às mulheres.

Em seus poemas, destrói noções como a da eternidade do amor – dogma do Brasil patriarcal – em versos.

Especialmente apreciados, os sonetos de Vinícius surpreendem pela capacidade de atualizar a lírica de Camões. O Soneto de Fidelidade figura entre os melhores momentos do autor nessa forma.

De tudo, ao meu amor serei atento

eAntes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angustia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que e chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

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