Menu fechado

Tenda dos Milagres – Jorge Amado

Tenda dos milagres é um grito contra o preconceito racial e religioso. Narra a história de Pedro Arcanjo e sua luta pela afirmação da cultura popular.

Histórico

O romance escrito na Vila Moreira, então vivenda de veraneio de Genaro e Nair de Carvalho, num arrabalde da cidade da Bahia, entre março e julho de 1969, foi lançado em outubro imediato, em 1ª edição, pela Livraria Martins Editora, de São Paulo, com 374 páginas, capa de Carybé, fartas ilustrações do pintor Jenner Augusto e retrato do autor por Carlos Scliar, integrando a coleção “Obras Ilustradas de Jorge Amado” como volume XVIII, tomo décimo oitavo, sucessivamente reeditado até a 15ª edição, em 1975, pela dita editora, que então encerrou suas atividades.

A 16ª edição, de 1976, traz a marca da Editora Record, do Rio de Janeiro, como nova responsável pela editoração da obra amadiana: com 337 páginas, capa com détail de um quadro de Di Cavalcanti, as mesmas ilustrações de Jenner Augusto, retrato de autor por Flávio Carvalho e foto do autor por Zélia Gattai. A 18ª edição, de 1977, igualmente da Record e mesmo número de páginas, capa com cena do filme TENDA DOS MILAGRES, da Regina Films, do Rio de Janeiro, retrato do autor por Flávio de Carvalho e fotografia do autor ao lado do cineasta Nélson Pereira dos Santos, no gabinete da Rua Alagoinhas, por Zélia Gattai.

Foram reproduzidas, no texto, as excelentes ilustrações de Jenner Augusto. A mais recente é a 39ª ed., 20ª pela Record, de 1998.

Adaptado para o cinema, e sob a direção do cineasta Nélson Pereira dos Santos, a empresa Regina Films, do Rio de Janeiro, produziu a película TENDA DOS MILAGRES, em grande parte rodada na cidade da Bahia, constituindo-se numa importante realização artística premiada em Brasília.

Para a TV foi adaptado por Aguinaldo Silva e Regina Braga, numa mini-série da Rede Globo, em 1985.

Foi publicado em Portugal e ainda no exterior, há traduções nos seguintes idiomas: alemão, árabe, búlgaro, espanhol, finlandês, francês, húngaro, inglês, italiano, russo e turco.

Sinopse

Embora o título aluda ao letreiro ostentado pela oficina do riscador de milagres Lídio Corró, artesão estabelecido à Ladeira do Tabuão na cidade da Bahia, o romance é a história de um amigo dele, por nome Pedro Arcanjo, nascido a 18 de dezembro de 1868. Freqüentou o Liceu de Artes e Ofícios, onde conheceu Lídio Corró, oito anos mais velho conquanto igualados numa amizade fraterna que duraria toda a vida.

Ainda rapazola perde a mãe e engaja-se num cargueiro para o Rio de Janeiro, de onde retorna aos vinte e um anos de sua idade para não mais deixar a Bahia, fixando-se ao lado de Lídio na Tenda dos Milagres.

Nomeado bedel da Faculdade de Medicina em 1900, publica em 1907 seu primeiro livro, “A Vida Popular da Bahia”, quando é requisitado pelo catedrático Silva Virajá para seu auxiliar, a fim de dar-lhe oportunidade para ampliar os estudos.

Em 1918 lança “Influências Africanas nos Costumes da Bahia” e, em 1928, “Apontamentos Sobre a Mestiçagem nas Famílias Baianas”, obra que lhe custou o emprego devido à reação racista liderada pelo professor Nilo d’Ávila Argolo de Araújo.

Mesmo reduzido à simples condição de “pobre, pardo e paisano”, publica em 1930 seu último trabalho, “A Culinária Baiana: Origens e Preceitos”, que completa meritória obra versando antropologia, etnologia e sociologia, a qual, conquanto praticamente desconhecida de seus conterrâneos contemporâneos, veio a ser julgada indispensável “para a compreensão do problema de raças no Brasil”.

Segundo a opinião do sábio norte-americano James D. Levenson, detentor de Prêmio Nobel, que, em visita à Bahia, faz despertar o interesse geral por sua pessoa, cuja atuação vai sendo rememorada, em contraponto com os dois atuais, nas páginas do romance, em suas vicissitudes de vida modesta todavia rica de calor humano e de muitos amores – a negra possessa Dorotéia, Sabina dos Anjos, a bela, Rosália, a ardente, e tantas e tantas inclusive a finlandesa Kirsi, parêntese louríssimo, que levou no ventre o fruto do amor do trópico – mas de todas as amadas a nenhuma ele amou tão profundamente como à bela negra Rosa de Oxalá, a quem todavia jamais possuiu, pois que era amante de Lídio, o amigo-irmão.

Por ocasião do centenário do seu nascimento, a ele até então ignorado na terra natal, foram-lhe prestadas homenagens pela intelectualidade baiana com respaldo oficial.

Mais condizente, talvez, com o exemplo de sua vida vivida nas ruas e ladeiras da Bahia, o foi a homenagem prestada por uma escola de samba, a dos Filhos do Tororó, no carnaval de 1969, em Salvador.

Veja também: