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Tu só, Tu, Por Amor – Machado de Assis

O teatro foi a mais popular das diversões públicas do século XIX, entusiasmando multidões de todas as classes sociais.

A dramaturgia brasileira no Segundo Reinado tem como figura principal Martins Pena, cujas obras são ainda hoje encenadas e admiradas.

Outros autores que merecem citação são José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, França Júnior e o jovem Artur Azevedo.

Todos foram muito mais bem-sucedidos na farsa e na comédia de costumes do que no gênero dramático, que muito freqüentemente resvalava para o dramalhão lacrimogêneo, ridículo nos dias de hoje.

O teatro “sério” e moderno de Ibsen, Sardou e Dumas Filho era divulgado pelas companhias francesas e portuguesas, que excursionavam pela América do Sul quando era inverno na Europa.

Seu equivalente brasileiro foi muito dificultado pela rigorosa censura imperial.

O grosso da produção brasileira encenada, principalmente a partir da República, era de musicais – as famosas “revistas do ano”, que procuravam reunir num só espetáculo drama, comédia, canto, dança, crítica social e política, e outras variedades, algumas bastante picantes.

Não era um cenário animador do ponto de vista intelectual, embora muito dinâmico empresarialmente.

Para Machado de Assis, o teatro foi sempre uma atividade menor, mas nem por isso menos constante. Foi crítico, foi autor de pareceres para a censura e também autor.

Escreveu peças curtas, nenhuma das quais notável, embora Não consultes médico e Lição de botânica possuam muito da verve e da ironia que caracterizam seu festejado estilo.

Tu só, tu, puro amor… foi escrita quando o autor já tinha 42 anos, uma encomenda do Real Gabinete Português de Leitura, do Rio de Janeiro, para comemorar o terceiro centenário da morte de Camões.

O manuscrito data de 20 de maio de 1880, tendo a peça sido encenada em 10 de junho do mesmo ano no Teatro Pedro II, com os célebres Furtado Coelho e Lucinda Coelho nos papéis de Camões e Catarina.

No ano seguinte, Machado pagou do seu próprio bolso uma edição de apenas 100 exemplares, na qual baseamos o texto da Biblioteca Virtual.

Drama histórico, com pouca ação e diálogos literários impostados, Tu só, tu, puro amor… é muito mais uma curiosidade literária do que um marco do teatro nacional. Gilberto Mendonça Telles, ao prefaciá-la na edição fac-similada editada pela Biblioteca Nacional comemorativa do seu centenário, escreveu: “Incapaz de pôr em cena as caricaturas e baixas paixões que desencadeariam o ridículo e o humor dos ‘homens inferiores’ (…), expressa apenas conflitos psicológicos (…) que perdem bastante o seu interesse quando levados à representação.” É um teatro mais para ser lido do que encenado.

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