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Verão no Aquário – Lygia Fagundes Telles

Verão no Aquário – Lygia Fagundes Telles

A solidão, o desejo, a rejeição, a dor, a lembrança. A vida recortada em fragmentos de vida que parecem escapar lentamente por entre os dedos, derretidos sob o calor dilacerante de um intenso verão.

Nesse universo de vontades e frustrações vive Raíza, jovem que divide sua arrastada existência entre as memórias do pai amado, um homem frágil que preferiu perder-se na bebida a enfrentar o mundo, e a rivalidade velada com a mãe escritora, suave, bela e forte, ao mesmo tempo seu objeto de idolatria e raiva. Sem saber como lidar com suas próprias carências e pendências diante da vida, que passa lenta e sem nexo – “Deus vomita os mornos”, ensina a irônica prima Marfa —, Raíza tenta buscar sentido desesperadamente em fugazes momentos de prazer.

Festas, bebidas, amores vãos, amores impossíveis – como o que alimenta pelo jovem e problemático André, pupilo de sua mãe – e estocadas verbais que ferem os que a amam, mas que também deixam nela suas marcas, como indeléveis pedidos de socorro.

Exercendo a carpintaria requintada que a consagrou como uma das maiores escritoras brasileiras, Lygia Fagundes Telles faz o leitor deste Verão no aquário, seu segundo romance, lançado em 1963, mergulhar instantaneamente no opressivo inferno em que se transformou a vida da jovem.

Através de imagens líricas e poéticas, mas não menos inquietantes, que parecem discutir a validade da própria existência – uma das principais características da escrita de Lygia —, a autora seduz o leitor e o conduz lentamente através das páginas como um privilegiado e, em muitos momentos, angustiado espectador das tentativas de Raíza em se encontrar.

Aos poucos, ela descobre que a vida num aquário, apesar de pacífica, é uma vida pela metade, pois não oferece luta. Melhor é enfrentar o mar e seus perigos, mesmo que isso custe alguma dor, algum sacrifício.

E as mudanças vão chegando lentamente, assim como o vento refrescante que sopra anunciando o final do escaldante verão. Anunciando, também, o início de uma nova estação para Raíza.

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